Black Sails apresenta mais uma boa história sobre pirataria

Black Sails apresenta mais uma boa história sobre pirataria 1

Quem poderia imaginar que depois de alguns anos do sucesso da franquia Piratas do Caribe, uma série de televisão independente viria a explorar uma das temáticas mais conhecidas no gênero de aventura?

Black Sails, produzida pelo canal Starz, obteve bons índices de popularidade, aproveitando-se de um conceito interessante e uma história promissora. No começo do século 18, a Ilha de Nova Providência se tornou um porto seguro para os mais variados tipos de contrabandistas, mercenários, bandidos procurados e piratas da região das Bahamas. Sua capital, a cidade de Nassau, crescia a partir do lucro gerado pelos negócios ilegais dos seus peculiares frequentadores.

Black Sails: confira o trailer da série inspirada em A Ilha do Tesouro

O cenário é dominado pela jovem e bela Eleanor Guthrie (Hannah New), que garante a segurança da ilha em troca do lucro na venda legalizada dos saques feitos pelos navios piratas. Entre as figuras mais conhecidas do local está o Capitão Flint (Toby Stephens), um homem destemido que teve sua cabeça colocada a prêmio pela Inglaterra e se tornou inimigo das grandes nações europeias. O objetivo do pirata –  de transformar Providência em  uma terra próspera – se funde com o da Srta. Guthrie, ao passo que eles descobrem a possibilidade de saquear o Galeão espanhol Urca de Lima, carregado com uma imensa quantidade de ouro. Logo, a caçada pelo tesouro tem início.

 

Zach McGowan (Capitão Charles Vane) contracena com Hannah New (Eleanor Guthrie)

Zach McGowan (Capitão Charles Vane) contracena com Hannah New (Eleanor Guthrie)

 

Mesmo com o enredo clássico, o estilo dos personagens de Black Sails não faz referência apenas aos filmes antigos de pirataria, mas também possui influência das séries atuais de drama. Os episódios são muito mais focados nas relações pessoais do que nas movimentações da trama geral. Quando algo grandioso acontece é sempre resultado do esforço de um indivíduo, o que gera repercussões diversas na vida de outros envolvidos. Essa opção narrativa evita que a história caia no previsível, além de explicar com maior profundidade as motivações que não parecem tão óbvias à primeira vista.

Vídeo promove lançamento de Black Sails

O seriado também faz referência a mitologia ligada à pirataria, em sua maioria aos personagens do livro A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. Capitão Flint, John Silver e Billy Bones foram retirados diretamente da literatura, enquanto outros como Charles Vane, Anne Bonny, Rackham e Barba Negra são figuras históricas que, em suas épocas, geraram incontáveis boatos e lendas. Essa mistura de referências cria uma expectativa de aventura, humor, superstição e criminalidade em alto-mar. No entanto, o programa nem sempre entrega isso, principalmente quando resolve se empenhar em pequenas intrigas, politicagem em terra-firme e gracinhas de cunho sexual.

Mesmo pecando por só arranhar a superfície de temas mais relacionados ao assunto – e por retratar alguns bucaneiros “limpinhos” demais -, Black Sails ainda guarda qualidades que podem atrair um público mais abrangente, já que se dedica às relações humanas. Entre tantos protagonistas simpáticos e únicos, motivações ocultas, tramas paralelas e surpresas constantes, é difícil não se deixar seduzir por algum desses pontos ou, quem sabe, por todos eles ao mesmo tempo.

 

André Natali
Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília e em Técnico de Direção Cinematográfica pela Academia Internacional de Cinema de São Paulo. No Pop Séries!, é responsável pelas análises de seriados épicos e adaptações do cinema para a TV.

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