A expectativa para a adaptação de A Empregada era grande entre os fãs. Quando o fenômeno literário de Freida McFadden foi anunciado para as telas, com um elenco de peso liderado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, a internet parou. O livro, um thriller psicológico viciante, tinha todos os ingredientes para se tornar o suspense do ano. No entanto, o que chegou ao público é uma obra desconcertante e sem identidade.
Na história, Millie (Sweeney) busca um novo recomeço e aceita trabalhar como empregada doméstica para a rica e influente família Winchester. O que parecia a solução para seus problemas logo vira um pesadelo: presa em uma mansão repleta de segredos, Millie descobre que a sofisticada Nina Winchester (Seyfried) esconde traumas perigosos. Quando ela percebe que a porta de seu quarto só tranca do lado de fora, Millie se vê presa a um jogo psicológico em que ninguém é quem aparenta ser. Ao mesmo tempo, ela se envolve com o marido da patroa, que aparenta ser um companheiro perfeito.
O filme sofre de uma grave falha de tom, e a raiz do problema parece estar na cadeira da direção sob o comando de Paul Feig (Um Pequeno Favor). Ao confiar o projeto a um cineasta amplamente conhecido por seus sucessos no gênero de comédia e blockbusters, o estúdio assumiu um risco que não se pagou.
O suspense exige silêncios, sombras e o que não é dito; aqui, a mão do diretor é pesada onde deveria ser sutil. A narrativa parece ter “medo” do silêncio, aplicando uma lógica de exposição total que subestima a inteligência do espectador. Em vez de tensão crescente, temos diálogos redundantes que explicam cada passo da trama antes mesmo dos personagens agirem.
Talento desperdiçado em A Empregada: Sweeney e Seyfried
Nem mesmo o brilho do elenco consegue salvar o roteiro engessado. Sydney Sweeney, conhecida por performances em Euphoria e Christy, parece perdida em meio a falas meramente explicativas. Já Amanda Seyfried, que tem um talento nato para transitar entre a vulnerabilidade e a ameaça, entrega o máximo que o material permite, mas é limitada por uma direção que não sabe explorar suas camadas. É difícil, inclusive, pensar que essa é a mesma atriz que vem recebendo elogios pela sua atuação em O Testamento de Ann Lee (2025).
A química entre as duas, que deveria ser o motor do filme, soa artificial. A personagem de Seyfried, que deveria ser um mistério ambulante, acaba se tornando enfadonha devido a um roteiro que insiste em explicar suas motivações por meio de monólogos desnecessários, esvaziando qualquer peso dramático.
A reviravolta que todo mundo vê chegar
O maior triunfo do livro é seu plot twist chocante. No filme, entretanto, a reviravolta chega sem força. Como a direção espalha pistas óbvias demais — herança, talvez, do hábito de preparar o telespectador, que cada vez divide mais a sua atenção entre o celular e a tela — , não é muito difícil adivinhar o final. Quando o grande segredo é revelado, a reação não é de choque, mas de um cansaço previsível. O longa trata o público como iniciante no gênero, ignorando que o espectador atual é versado em clichês de suspense.
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Meu veredito: A Empregada serve como um lembrete de que um elenco cobiçado e um best-seller não garantem uma boa obra. A falta de confiança no material original transformou o que poderia ser o filme do ano em uma experiência esquecível. Se você amou o livro, esteja preparado para uma versão muito mais pálida e sem graça do que a história original.
O que você achou da adaptação? Acha que o diretor de comédia conseguiu migrar bem para o suspense ou sentiu falta de mais mistério? Comente abaixo!




