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Em tempo de crise, ‘Madame C.J. Walker’ traz história inspiradora sobre magnata dos comésticos

Por 7 de abril de 2020 Sem Comentários
a vida e história de madame c.j. walker

Com uma tímida estreia na Netflix, a minissérie A Vida e História de Madame C.J. Walker é um alívio para momento de crise que vivemos, em decorrência da pandemia do coronavírus.

A trama, baseada em fatos reais, traz a jornada inspiradora e repleta de desafios da primeira negra a ficar milionária, por conta própria, nos EUA. Octavia Spencer interpreta a protagonista, Sarah Breedlove, que de lavadeira humilde conseguiu criar um império de beleza produzindo produtos voltados ao cabelo afro.

Com apenas quatro episódios, a narrativa concisa consegue transmitir a história de Sarah de forma eficaz. A inspiração do programa é do livro On Her Own Ground: The Life and Times of Madam C. J. Walker, escrito pela tataraneta de Walker, A’Lelia Bundles.

A trabalhadora tinha uma vida extremamente humilde em 1900. Até que uma empresária local bate a sua porta para vender produtos de beleza e fica sensibilizada com a situação da lavadeira.

Ao lado de seu benfeitora, Sarah começa a entender mais sobre o mercado de cosméticos e tenta criar um nome para si na cidade de Indianapolis. A série mescla eventos da vida pessoal da protagonista, como o terceiro casamento, a maternidade e o preconceito que sofria por ser uma mulher e empresária no início do século 20.

madame c.j. walker

Madame C.J. Walker foi a primeira mulher que ficou milionária por conta própria nos EUA

Na vida real, Sarah não foi somente uma magnata da indústria americana, com o crescimento de sua fábrica, lojas e marcas de produtos especializados. Ela teve um papel importante no ativismo social e foi uma filantropa importante, financiando doações para inúmeras organizações, inclusive nas artes. Villa Lewaro, a luxuosa propriedade de Walker em Irvington, Nova York, também funcionava como um local de encontro para comunidade afro-americana na época.

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Spencer, assim como em seus outros papéis no cinema, consegue trazer profundidade e simpatia para história de Madame C.J. Walker (o sobrenome foi herdado de seu terceiro ex-marido). A atriz consegue transmitir com competência os sentimentos de uma mulher que, mesmo com todos os desafios sociais que lhe foram impostos, violência doméstica, falta de estudo e preconceito, consegue ser a protagonista de seu próprio império e também de seu destino.

Walker morreu em 25 de maio de 1919, por conta de uma insuficiência renal e complicações da hipertensão, aos 51 anos.

No fim, a grande ambição de Sarah nunca foi o dinheiro e nem o poder. Eles eram meios para realizar o seu sonho, de transformar a vida das pessoas em sua volta e também de criar um legado para o seu nome. Por isso, ela era a garota propaganda de seus próprios produtos, transmitindo uma mensagem de aceitação para o público feminino. E é isso que faz da história de Madame C.J. Walker tão encantadora e importante nos dias de hoje.

Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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