Mad Men: crítica última temporada
Crítica

Mad Men: último ano estreia com grandes conquistas

Por 13 de junho de 2014 abril 22nd, 2016 Sem Comentários

spoilerCom a decisão do canal AMC em dividir a última temporada em duas partes, os fãs de Mad Men acompanharam os primeiros sete episódios da despedida da série. Apesar de gerar certa frustração com a espera até 2015, o resultado foi extremamente satisfatório. Os produtores empenharam-se em entregar um fim digno a uma das atrações mais complexas da televisão americana.

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A maior expectativa era descobrir como Don Draper (Jon Hamm) iniciaria os capítulos, afinal, ele perdeu o que mais prezava na vida: o seu trabalho. Com uma mistura de orgulho e vergonha, o publicitário escondeu de sua família a sua principal fraqueza. E coube ao protagonista exercitar sua humildade para reconquistar o seu lugar na agência. Talvez, a redenção esperada para anti-herói possa ser notada em sutis e determinantes situações em que foi submetido, como carregar um sofá ou reportar seu trabalho à aprovação de sua pupila Peggy Olson.

Como era de se esperar, a confortável vida de Don continua em um constante declínio como o fim casamento com Megan, a complicada relação com os filhos e a falta de confiança no trabalho. Entretanto, poucas vezes Don se empenhou tanto em consertar o rumo de sua vida, e quem diria até com certa ética amorosa. É a primeira temporada que ele não teve um caso extraconjugal. Pelo contrário, participou de um ménage à trois consensual com a esposa.

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Agradável também foi continuar acompanhando a trajetória de sucesso de Peggy (Elisabeth Moss). Com uma determinação admirável, desde o início do seriado, ela finalmente conquistou o poder profissional, mas também começou a pagar o preço de suas escolhas. Ao mesmo tempo que conseguiu uma liberdade e autonomia dentro da empresa, ela chegou aos trinta anos lamentando não vivenciar as experiências das mulheres consideradas “normais” para a sociedade da época. A conversa entre Peggy e Don, no episódio The Strategy, foi uma cenas mais tocantes do ano e mostrou como os personagens possuem uma profundidade e uma melancolia que transcendem a ficção.

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Robert Morse recebe merecida homenagem em sua despedida em Mad Men

Robert Morse recebe merecida homenagem em sua despedida em Mad Men

A autonomia feminina, conquistadas a partir do final da década de 1960, foi muito bem exemplificada pela série. Além de Peggy e Joan, vimos a curiosidade de Betty (January Jones) em ter uma vida própria, que não seja em função dos filhos e da imagem do marido. Foi uma pena que a vida da família de Don tenha sido pouco retratada. Porém, em momentos decisivos Sally assumiu um bom posicionamento da trama, exigindo que seu pai fosse mais sincero sobre a suas atitudes.

Sobre os personagens coadjuvantes, Roger Sterling (John Slattery) ganhou um importante desfecho. O executivo que sempre teve uma vida leviana, agora se deparou com uma liberdade muito exacerbada para seu padrões festivos. Ele teve uma posição dura e um tanto machista quando viu sua filha se juntar ao um grupo de hippies em uma fazenda. Chocante também foi fim de Michael Ginsberg (Ben Feldman). Quem diria que o astuto publicitário enlouqueceria por conta da invenção dos computadores.

Mad Men: Don recebe visitante do passado

Para quem estranhou a audácia do número o musical no season finale, há uma explicação mais do que plausível. Robert Morse, que interpreta Bert, é conhecido mundialmente por protagonizar musicais de sucesso na Broadway. Por isso, nada melhor que a sua despedida fosse realizada em um pequeno espetáculo coreografado. A cena, já carregada de uma futura nostalgia da série, foi fundamental para emplacar em Don uma lição de vida. Bert, talvez foi o personagem que lhe deu o melhor conselho durante os sete anos de Mad Men. “As melhores coisas da vida são de graça”.

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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