Crítica Um Drink no Inferno

 

Poucas produções podem ser consideradas inovadoras no cinema e na televisão. Um Drink no Inferno é um caso à parte. A série, baseada no filme From Dusk Till Dawn (1996), dirigido por Robert Rodriguez e roteirizado por Quentin Tarantino, ganhou uma versão especial para a TV.

Fica difícil explicar as motivações do seriado sem mencionar o tipo de filme que o próprio autor de Um Drink No Inferno gosta e reproduz. Podemos chamar de nomes como “filmes B” ou “trash”. Para os fãs, o  termo utilizado é Grindhouse. O gênero, que nasceu na década de 1960, explorava temas polêmicos com altas doses de sexo, violência e bizarrices – em resumo, o que o público não conseguiria ver em nenhuma produção dos grandes estúdios. Estes filmes eram colocados de lado pela maioria dos cinemas e só conseguiam espaço em salas menores ou em horários menos populares, normalmente em sessões duplas.

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Um Drink no Inferno tem como objetivo agradar o público, com um clima mexicano, e promover a temática de “filme B”. Apesar do esforço em manter uma aparência de segunda categoria, é notável  uma grande dedicação aos efeitos especiais nos episódios. O mesmo aconteceu com a sessão dupla de Grindhouse (2007), produzido por Rodriguez (Planeta Terror) e Tarantino (À Prova de Morte). Até os erros são cuidadosamente calculados para fazer uma alusão ao que era underground nos anos 60, o que se tornaria cult no século 21.

 

O pastor Jacob Fuller (Robert Patrick) e seus dois filhos adolescentes: Scott (Brandon Soo Hoo) e Kate (Madison Davenport)

O pastor Jacob Fuller (Robert Patrick) e seus dois filhos adolescentes: Scott (Brandon Soo Hoo) e Kate (Madison Davenport)

Os irmãos Gecko (interpretados por D.J. Cotrona e Zane Holtz) fogem dos Estados Unidos rumo ao México. O plano começa a dar errado quando a dupla mata um policial Texas Ranger e se depara com a família de Jacob Fuller – ótima atuação de Robert Patrick -, um pastor em decadência que tenta manter seus filhos adolescentes sempre por perto. A trama se desenvolve com  todos os elementos do filme original, no entanto com mais detalhes, responsáveis por criar novos sentidos e motivações para os personagens.

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Quem não gosta do gênero trash, com vampiras dançando em um bar de beira de estrada e sangue de mentira espirrando no tapete da sala, vai odiar Um Drink no Inferno. Para o telespectador que não se importa com a proposta, de uma história sem pé nem cabeça, que mistura faroeste, horror e humor negro em medidas igualmente importantes, vai se divertir com a série. No mais, é gratificante perceber o cuidado empregado por Rodriguez na produção, o que dá ao diretor o título de um especialista no gênero.

No Brasil, a série é exibida on-line na Netflix. A segunda temporada está confirmada para 2015.

André Natali

André Natali

Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília e em Técnico de Direção Cinematográfica pela Academia Internacional de Cinema de São Paulo. No Pop Séries!, é responsável pelas análises de seriados épicos e adaptações do cinema para a TV.

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