Demolidor: segunda temporada explora limites da ética
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Demolidor: segunda temporada explora limites da ética

Por 5 de abril de 2016 fevereiro 16th, 2017 Sem Comentários
Demolidor: segunda temporada explora limites da ética 1

 

spoilerMatt Murdock, assim como os seus companheiros que habitam Nova York, não é um herói comum ao mundo Marvel. Desde a primeira temporada de Demolidor – e de Jessica Jones -, o telespectador sabe que uma fotografia sombria, muita violência e um olhar revelador sobre o submundo da metrópole em questão são os elementos chaves na trajetória de cada um dos Defensores.

Nesta linha, a segunda temporada da série não trouxe muitas surpresas. Matt (Charlie Cox) continuou a sua luta dentro e fora dos tribunais para limpar a sua cidade de bandidos e da máfia. O clímax ficou por conta da estreia de Elektra, o primeiro amor do protagonista, que assim como o Justiceiro, outro vilão importante da história, levantou questionamentos sobre a moralidade na luta contra o crime. Apesar de seu nome sugestivo, o demônio do Hell’s Kitchen não mata os seus inimigos. A sua arma de escolha não é mortal e seu principal objetivo é prender os seus oponentes. Já Elektra (Elodie Yung) é uma assassina impiedosa treinada pelo mesmo mentor que anos antes havia preenchido o desejo de vingança do herói.

Assista ao trailer da segunda temporada da série

demolidor justiceiro

Frank Castle reforçou o dilema da moralidade na trama

A relação conturbada é apresentada ao público por meio de flashbacks e, a todo momento, Matt busca a redenção da ex-namorada. Seu maior desejo é alcançado no último episódio do ano, em que Elektra se sacrifica pela vida dele e não sede ao impulso de assumir a escuridão que comanda as suas ações. E aqui reside outra diferença: se no mundo dos HQs há espaço para o romance, na vida do Demolidor tudo parece acabar em tragédia. Mesmo que o relacionamento com a colega de trabalho, Karen Page (Deborah Ann Woll),  tenha evoluído ao longos dos capítulos a sua resistência em compartilhar o seu segredo quase leva ao término.

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Dilemas morais também estiveram presentes no surgimento do Justiceiro (Jon Bernthal). Frank Castle era um ex-soldado condecorado que presenciou o assassinato de sua família. Com sede de vingança, aniquilou de forma violenta os três maiores grupos de mafiosos da cidade. Fugiu, foi preso e acabou nas mãos do Rei do Crime na cadeia. Quase foi morto, mas teve a sua fuga planejada. O personagem assumiu por completo o papel de vigilante de Nova York e não teve nenhum receio em puxar o gatilho para acabar com que o ameaça e seus amigos (se podemos chamar Karen e Demolidor assim).

Será gratificante ver a evolução de Castle na terceira temporada e a sua relação com Wilson Fisk – que não ficará por muito tempo atrás das grades. É engraçado, no entanto, como Matt resiste em matar quando necessário. Atormentado pela sua ética cristã, o protagonista acredita ainda que toda alma pode ser salva, o que não necessariamente pode acontecer. O único oponente que assassinou retornou dos mortos para acabar com a sua sina. Em algum ponto, quem sabe, ele perceberá que no mundo cruel de Hell’s Kitchen o ditado “matar ou morrer” ainda se prova verdadeiro.

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Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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