Crítica: primeira temporada de Jessica Jones
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Jessica Jones reafirma visão dos heróis do submundo

Por 25 de novembro de 2015 fevereiro 16th, 2017 Sem Comentários
Jessica Jones reafirma visão dos heróis do submundo

 

spoiler

 

Quando Demolidor estreou no serviço on-demand da Netflix, os fãs da saga ficaram surpresos com a fotografia obscura e as cenas de violência explícitas da série.

Afinal, a Marvel até então havia lançado filmes leves, como Os Vingadores, em que os protagonistas não enfrentavam dilemas sombrios ou lutavam contra criminosos à margem da sociedade. A história contemplada nas telas do cinema é otimista aos olhos do telespectador, enquanto que na TV – com exceção a Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. –, a trama ganha solidez e um cenário não tão promissor.

Crítica: Demolidor investe em versão sombria dos HQs

Assim como o seu antecessor, Matt Murdock, Jessica Jones (Krysten Ritter) vive em uma Nova York destruída após a invasão alienígena. Ela também convive com os seus superpoderes (que englobam uma força sobrenatural e uma capacidade de desafiar a gravidade) desde a adolescência, após a morte dos pais e do irmão em um acidente de carro. Ao lado da irmã adotiva, Trish Walker (Rachael Taylor), a heroína trilha o seu caminho para pacificar o Hell’s Kitchen até que Kilgrave (David Tennant) aparece novamente em seu destino.

Destinos entrelaçados. Luke Cage é apresentado na trama

Com a capacidade de manipular a mente e desejos de qualquer pessoa, o vilão aterroriza a protagonista que é levada a cometer um assassinato quando ordenada. A narrativa é sagaz, neste ponto, ao afirmar que a manipulação psicológica sofrida por Jessica configura estupro, ao passo que as vítimas do personagem, desprovidas de seu livre arbítrio, passam a ter um relacionamento amoroso com ele.

Assista ao trailer de Jessica Jones

O ressurgimento de Kilgrave na vida de Jessica é o que move o clímax de toda a narrativa. Tudo caminha para o embate entre os dois nomes dos quadrinhos e até indestrutível Luke Cage (Mike Colter) é pego em meio ao fogo cruzado – vale lembrar que o herói ganhará um seriado próprio no próximo ano. Os roteiristas também realizaram uma espécie de crossover prévio entre as atrações, a introduzir a enfermeira Claire Temple, de Demolidor, em dois episódios da atração.

Jessica Jones ainda consegue reafirmar o papel de destaque mulheres em grandes papéis nos HQs. Elas são várias no mundo Marvel: Viúva Negra, Melinda May, Quake, agente Carter, entre outras. No entanto, nenhuma consegue quebrar o estereótipo do modelo de “mulher poderosa” como a protagonista: sem modos, treinamento, orientação de uma organização ou uma missão definida, Jessica é a que sobrevive nas sombras de uma cidade violenta, como uma verdadeira heroína do submundo.

Veja promo do segundo ano de Demolidor

A Netflix ainda não divulgou a renovação da atração para o seu segundo ano. O canal, no entanto, prepara uma produção em que todos os heróis abordados em sua programação trabalham juntos em uma missão comum. A série, denominada Os Defensores, segue sem data de estreia definida.

Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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