Pose: 2ª temporada da série será pautada no lançamento da música Vogue, de Madonna

Ryan Murphy confirmou que a segunda temporada de Pose vai dar um salto temporal para 1989, ano de lançamento de Vogue, de Madonna. A data de estreia está marcada para 11 de junho.

A escolha de 1989 não é arbitrária. Vogue é o momento em que a cultura ballroom de Nova York, universo central de Pose, atravessou a fronteira entre subcultura e fenômeno de massa. Murphy quer mostrar exatamente esse choque: o que acontece com uma comunidade quando suas práticas, sua linguagem e seus movimentos são apropriados e lançados para o mundo sem que ela própria seja reconhecida.

Pose estreou em junho de 2018 pela FX e já na primeira temporada estabeleceu alguns recordes históricos. Com cinco atores trans no elenco principal e mais de 50 atores e extras trans em cena, a série entrou para a história como a produção com o maior número de personagens trans recorrentes da televisão americana. Janet Mock e Our Lady J também integraram o time de roteiristas, tornando Pose pioneira na representação trans não só em frente às câmeras, mas nos bastidores.

A audiência respondeu bem. A estreia foi assistida por cerca de 1,3 milhão de espectadores em exibição linear, número que cresceu significativamente com as métricas de streaming incluídas pelo próprio canal. A FX renovou a série para a segunda temporada antes mesmo do encerramento da primeira, sinal direto de confiança nos números.

O elenco que fez história antes das câmeras girarem

Billy Porter, Mj Rodriguez, Dominique Jackson, Indya Moore e Angelica Ross formam o núcleo da série. Para Porter, Pose chegou num momento de reposicionamento de carreira: veterano da Broadway com dois Tony Awards no currículo, o ator havia tido participações pontuais em televisão antes de Pray Tell se tornar um de seus papéis mais reconhecidos. A atuação na primeira temporada já lhe rendeu indicações, e a segunda temporada, ambientada em Nova York em plena crise da aids, aprofunda ainda mais a carga emocional do personagem.

Ryan Murphy, por sua vez, chegou à segunda temporada de Pose com sua agenda mais carregada do que nunca. Em 2018, ele assinou um contrato de produção com a Netflix avaliado em 300 milhões de dólares, considerado um dos maiores da história do streaming para um produtor individual. Mesmo assim, manteve projetos ativos na FX, incluindo Pose e American Horror Story. A segunda temporada da série foi desenvolvida nesse período de transição, o que tornava a manutenção do nível de comprometimento criativo uma questão legítima, respondida, segundo a crítica especializada, positivamente.

O que muda quando o ballroom chega ao mainstream

A segunda temporada enfrenta um desafio narrativo preciso: retratar o momento em que a cultura que a série celebra começa a ser consumida por um público que não entende, e muitas vezes nem quer entender, sua origem. Vogue vendeu mais de dois milhões de cópias nos Estados Unidos e chegou ao top 3 em dezenas de países. O clipe, dirigido por David Fincher, transformou o vocabulário do ballroom em estética pop global.

Para os personagens de Pose, esse é um momento ambíguo. A visibilidade trouxe atenção para um universo historicamente marginalizado, mas também acelerou o apagamento das pessoas que o criaram, em sua maioria negras, latinas e trans. Murphy sinalizou que a temporada vai trabalhar essa tensão diretamente, sem transformá-la em lição didática.

A crítica especializada já havia elogiado a primeira temporada exatamente por evitar o tom de manifesto. Pose conta histórias, não faz panfletagem. Se a segunda temporada mantiver essa disciplina narrativa com um pano de fundo tão carregado quanto o impacto de Vogue, tem tudo para ser melhor do que a estreia.

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