Quando a HBO anunciou a produção de Sharp Objects, muitos acreditaram que a minissérie seria a nova Big Little Lies do canal. Mais uma vez, a emissora apostou na adaptação de uma obra literária feminina de sucesso e escalou um elenco composto por atrizes de renome em Hollywood. Entretanto, a atração surpreendeu os seus espectadores ao apresentar uma trama obscura e densa. Além de tirar a protagonista — Amy Adams — de sua zona de conforto.
Baseada no livro homônimo da escritora Gillian Flynn, a trama acompanha a vida de uma jornalista chamada Camille Preaker. Nascida na pequena cidade de Wind Gap, ela teve uma infância complicada por conta dos jogos emocionais de sua mãe, Adora (Patricia Clarkson).
Quando duas garotas são brutalmente assassinadas no local, a personagem é obrigada a cobrir o caso e a conviver com a sua disfuncional família. Nesse contexto, um novo sentimento de proteção aflora na protagonista ao se aproximar de sua irmã mais nova, Amma.
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Mais do que isso, Camille desencadeou um grave distúrbio psicológico e adquiriu o hábito de se automutilar. As palavras escritas por todo seu corpo a ajudavam a aliviar as dores das situações sofridas ao longo de sua juventude. Ao voltar para casa, ela precisa ser forte o suficiente para não cair na tentação de se cortar novamente.
Sharp Objects é mais que uma série de investigação

A adaptação televisiva foi brilhante ao detalhar todas as nuances do comportamento de suas personagens. Os demônios internos de Camille, a vitimização de Adora e a maldade no olhar de Amma estiveram presentes ao longo de todos os episódios. O público também foi agraciado por cenas deslumbrantes, como a em que John Keene lê o corpo de Camille, quase que desvendando sua alma inquieta.
A grande atratividade de Sharp Objects é que a história não é somente pautada em uma grande investigação. O espectador vai descobrindo camadas muito mais profundas. A mente doentia de Adora é parcialmente revelada, em quantias muito bem dosadas. O que aparentemente parece ser um forte desentendimento entre mãe e filha, na verdade, revela-se um espetáculo psicótico. O comportamento rebelde de Camille durante sua infância a salvou da morte. Pena que sua irmã Marien não teve a mesma sorte.
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Os produtores decidiram terminar o programa de uma forma pouco convencional para a TV. Para quem não leu o livro, o desfecho pode ter ficado confuso. A minissérie acaba com Camille descobrindo que a verdadeira assassina de Wind Gap é Amma e não Adora.
Na obra literária, há mais detalhes e explicações sobre a sordidez da garota. Ela arrancava os dentes de suas vítimas para construir um chão de marfim, assim como o do quarto real de sua mãe. Há também uma passagem em que Camille visita Amma no hospital psiquiátrico. E, pela primeira vez, o leitor percebe que ela está liberta de suas tragédias familiares.
No entanto, as imagens pós-créditos deram um ar mais violento à narrativa e um final feliz para Camille acabaria distanciando a trama do tom melancólico em que a série foi pautada.










