A quarta e última temporada de Black Sails estreia no Starz neste domingo (29), e o elenco e produtores que conversaram com o Pop Séries deixaram claro: não haverá saída limpa para ninguém.
O fim de uma era de piratas
Black Sails chegou ao Starz em 2014 como uma aposta arriscada, uma série que funcionava simultaneamente como prelúdio de A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, e como drama histórico ambientado nas Bahamas do século XVIII. A produção custou cerca de 50 milhões de dólares já na primeira temporada, um dos maiores investimentos da emissora até então, com sets construídos na África do Sul para recriar Nassau e o mar do Caribe. O resultado ao longo de quatro anos foi uma série que ganhou respeito da crítica especializada, acumulando indicações ao Emmy de Melhores Efeitos Visuais em múltiplas temporadas.
O showrunner Jon Steinberg e o co-criador Robert Levine conduziram a série por esse ciclo de quatro anos com uma clareza narrativa pouco comum em produções do gênero. Diferente de muitas séries de época que se perdem em subtramas, Black Sails manteve o fio condutor da inevitabilidade: o espectador sempre soube que Silver se tornaria o Long John Silver da obra de Stevenson, o que transformou cada escolha do personagem em algo carregado de peso dramático.
Hannah New, que interpreta Eleanor Guthrie, confirmou que a personagem chega à temporada final em seu ponto mais sombrio. Eleanor enfrentará as consequências acumuladas de quatro temporadas de decisões moralmente questionáveis, sem qualquer perspectiva de redenção fácil. John Silver e o Capitão Flint, por sua vez, entrarão em uma batalha que custará um de seus navios, escalando o conflito para o que a produção descreve como o confronto definitivo contra a Coroa Britânica.
Personagens que cresceram além do roteiro
Jessica Parker Kennedy, que interpreta Max, falou sobre a trajetória da personagem com uma honestidade que resume bem o que Black Sails fez de diferente. “Definitivamente, ela foi uma das personagens que mais evoluíram ao longo das temporadas. Eu sempre tive confiança de que ela não seria apenas uma prostituta e que seria preponderante para diversas reviravoltas”, disse a atriz. Max começou como figura periférica e foi se tornando uma das peças centrais da política de Nassau, um arco que Kennedy construiu com consistência rara em séries de aventura.
Luke Arnold, responsável por dar vida a John Silver desde o início, comentou sobre o peso de adaptar uma obra tão conhecida. “Esse mundo já vivia no imaginário do público e eles acreditaram que nós estávamos empenhados em transformá-lo em uma realidade para a televisão.” Arnold, ator australiano que tinha poucos trabalhos expressivos antes da série, usou os quatro anos de Black Sails para construir uma das transformações físicas e dramáticas mais graduais da televisão recente, passando de marinheiro jovem e ingênuo ao contorno reconhecível do vilão literário.
Clara Paget, que interpreta Anne Bonny, adiantou que a personagem começa a temporada em colapso, mas não permanece passiva. “Tudo está prestes a desmoronar e ela não terá bons momentos no início dos episódios. Porém, ela terá um grande plano e não ficará tão quieta como costumava ser.” Anne Bonny é baseada em uma figura histórica real, a pirata irlandesa que operou no Caribe no início do século XVIII, e Black Sails foi uma das poucas produções a tratar sua história com alguma profundidade.
O legado de quatro temporadas
Black Sails termina sua corrida sem cancelamento forçado ou queda brusca de qualidade, uma raridade no formato de drama premium. A série foi renovada para a quarta temporada em 2015, quando ainda estava em exibição da segunda, sinal de que o Starz apostou cedo no encerramento planejado. Quem assistiu desde o início chega a este domingo sabendo que a série cumpriu o que prometeu: construir o caminho até A Ilha do Tesouro com seriedade dramática suficiente para fazer o clássico literário parecer ainda mais pesado depois.

