Cem anos no futuro, a Terra foi abandonada por causa da radioatividade, e os últimos humanos sobreviventes habitam uma estação espacial chamada Ark, que orbita o planeta em condições cada vez mais precárias. A estrutura não vai durar para sempre, e o regime que controla a vida a bordo sabe disso. A solução encontrada pelo governo é enviar 100 jovens delinquentes à superfície para descobrir se o planeta voltou a ser habitável. É com essa premissa que The 100 estreou no canal americano The CW em março de 2014, baseada na série de romances distópicos de Kass Morgan, publicada a partir de 2013.
A showrunner Jason Rothenberg adaptou o material original e rapidamente expandiu o escopo da história, afastando a série dos livros de forma deliberada. Enquanto os romances mantinham um tom mais voltado ao romance adolescente, a produção televisiva apostou em dilemas morais pesados, violência e decisões políticas sem resposta fácil, o que surpreendeu tanto o público quanto a crítica especializada. O piloto atraiu cerca de 2,7 milhões de espectadores nos Estados Unidos, número considerado sólido para o perfil do canal, conhecido por séries voltadas ao público jovem adulto como Arrow e Vampire Diaries.
O elenco foi montado com apostas calculadas. Eliza Taylor, atriz australiana com passagem pela soap opera Neighbours, assumiu a protagonista Clarke Griffin e construiu ao longo das sete temporadas uma das personagens mais complexas do gênero distópico na televisão recente. Ao lado dela, Bob Morley, também australiano e também vindo de Neighbours, interpretou Bellamy Blake. A química entre os dois personagens alimentou uma das discussões de fandom mais longas da década na internet, com o casal ficando conhecido como Bellarke. Isaiah Washington, veterano de Grey’s Anatomy, integrou o elenco principal como o Chanceler Jaha, conferindo ao projeto um peso dramático que ajudou a atrair audiência mais velha.
A série ganhou força especialmente a partir da segunda temporada, quando expandiu o universo ficcional e introduziu os Grounders, os sobreviventes que permaneceram na Terra e desenvolveram civilizações próprias. Esse movimento narrativo foi elogiado por críticos que viram na série uma ambição acima do esperado para um produto do The CW. O pico de audiência aconteceu na terceira temporada, com episódios superando a marca de 1,8 milhão de espectadores na exibição ao vivo, sem contar o streaming e a reprise, que infláram significativamente os números totais segundo dados da própria emissora.
A produção foi gravada principalmente em Vancouver, no Canadá, cenário recorrente para séries de ficção científica por conta dos incentivos fiscais e da diversidade de paisagens naturais. O orçamento por episódio cresceu progressivamente, permitindo efeitos práticos e visuais mais elaborados nas temporadas finais. A série foi renovada sete vezes e encerrada em 2020, com a sétima temporada funcionando como conclusão definitiva da história. Rothenberg chegou a anunciar um spin-off, The 100: Second Dawn, mas o projeto não avançou para o desenvolvimento formal.
A recepção ao finale dividiu o público, com muitos fãs criticando escolhas narrativas consideradas apressadas. Ainda assim, o legado da série permanece relevante no contexto das distopias televisivas dos anos 2010, período em que o gênero dominou tanto o cinema quanto as telas menores após o sucesso de Jogos Vorazes.










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