Era uma vez uma produção que apostou no improvável e conquistou sete temporadas na televisão americana. Once Upon a Time estreou na ABC em outubro de 2011 e rapidamente se tornou um dos maiores fenômenos de fantasia da TV aberta norte-americana da década passada. A série acompanha Emma Swan, uma caçadora de recompensas que visita a cidade de Storybrooke, no Maine, e descobre que seus habitantes são, na verdade, personagens de contos de fadas transportados para o mundo real por uma maldição lançada pela Rainha Má. O detalhe que diferenciava o projeto de outros produtos do gênero era justamente o contraste entre a magia de origem e a brutalidade do cotidiano moderno: Branca de Neve trabalhava como professora, o Príncipe Encantado vendia carros usados, e Rumpelstiltskin administrava uma loja de antiguidades com a frieza de um agiota.
A criação veio de Edward Kitsis e Adam Horowitz, dois roteiristas que já tinham passagem por Lost, série que marcou a televisão pela construção de mitologia complexa e flashbacks entrelaçados. Eles aplicaram estrutura semelhante em Once Upon a Time, alternando cenas no mundo real com sequências nos reinos encantados do passado. A ABC enxergou potencial imediato e encomendou uma temporada completa antes mesmo de o piloto ir ao ar. A aposta se provou correta: o episódio de estreia registrou mais de 12 milhões de telespectadores, um número expressivo para o horário das 20h de domingo.
Jennifer Morrison assumiu o papel de Emma Swan depois de uma trajetória televisiva sólida, especialmente pela participação em House, onde interpretou a Dra. Cameron por quatro temporadas. A escalação de Ginnifer Goodwin como Mary Margaret, a versão mundana de Branca de Neve, também foi bem recebida pela crítica, que elogiou a capacidade da atriz de equilibrar fragilidade e determinação sem escorregar no clichê. Lana Parrilla, como a Rainha Má Regina Mills, acabou se tornando a favorita do público e da imprensa especializada ao longo das temporadas, centralizando arcos cada vez mais complexos que transformavam a vilã em protagonista moral ambígua.
A recepção crítica na primeira temporada foi positiva, com o Rotten Tomatoes registrando aprovação acima de 70% entre os especialistas. Com o passar das temporadas, os números oscilaram conforme a série expandia seu universo para incluir personagens da Disney, como os de Frozen na quarta temporada, e aventuras em novos reinos que nem sempre agradaram ao público original. A audiência caiu de forma consistente a partir da quinta temporada, e a saída de Morrison e outros integrantes do elenco principal ao final da sexta temporada forçou uma reformulação que resultou em uma sétima e última temporada com formato quase completamente diferente.
O impacto cultural da produção foi suficiente para gerar spin-offs, sendo Once Upon a Time in Wonderland o mais conhecido, exibido entre 2013 e 2014, mas cancelado após uma única temporada por falta de audiência. A série principal, no entanto, acumulou seguidores leais ao longo de seis anos antes da reformulação e ainda é referência quando se fala em fantasia para o horário nobre da TV americana. Para quem quer entender como um conceito aparentemente simples, personagens de fadas com problemas humanos, pode sustentar uma narrativa serial densa, Once Upon a Time continua sendo um estudo de caso relevante em desenvolvimento de universo ficcional.
































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