Pretty Little Liars estreou na ABC Family em junho de 2010 e terminou sete temporadas depois, em 2017, como uma das séries de maior longevidade da rede, que hoje se chama Freeform. A premissa vem do romance homônimo de Sara Shepard, publicado em 2006, primeiro de uma série que chegou a 16 livros. A adaptação televisiva foi desenvolvida por I. Marlene King, que assinou a maioria dos episódios ao longo de toda a corrida e se tornou figura central na identidade da produção.
A série acompanha Spencer, Hanna, Aria e Emily, quatro adolescentes de Rosewood que começam a receber mensagens anônimas assinadas por “A”, alguém que conhece cada segredo que elas gostariam de manter enterrado. Em paralelo, as quatro investigam o desaparecimento de Alison DiLaurentis, a líder do grupo, que some numa noite de verão e ressurge, temporadas depois, como um dos pontos de virada mais comentados da série. A combinação de suspense adolescente com mistério policial funcionou: o episódio de estreia atraiu 2,47 milhões de espectadores, número expressivo para a ABC Family na época, e o final da segunda temporada reuniu mais de 3,8 milhões, recorde histórico do canal até aquele momento.
O que diferenciava Pretty Little Liars de outras produções teen do mesmo período era o tom consistentemente sombrio para um canal voltado ao público jovem. Rosewood operava como uma cidade de aparências impecáveis sobre uma estrutura completamente podre, e a série raramente poupava suas personagens de consequências reais. Mentiras se acumulavam; relacionamentos entre adultos e adolescentes eram tratados com uma ambiguidade que, revisitada hoje, gera leituras bem mais críticas do que na época de exibição. O romance entre Aria e seu professor Ezra, apresentado inicialmente como proibido e romântico, é hoje um dos pontos mais debatidos quando a série é reavaliada por audiências mais novas, especialmente nas plataformas de streaming onde PLL continua circulando.
A arquitetura do mistério central, mantida por anos sem resolução satisfatória para parte do público, era o motor e também o principal ponto de atrito. A revelação final de quem era “A.D.” na sétima temporada dividiu os fãs de forma permanente. Marlene King defendeu a escolha; parte da base considerou o arco construído de forma inconsistente com as pistas plantadas ao longo da série.
Lucy Hale, Troian Bellisario, Ashley Benson e Shay Mitchell construíram praticamente toda a sua visibilidade inicial dentro de PLL. Bellisario, que interpretou Spencer, é filha do produtor Donald P. Bellisario, criador de NCIS, mas estabeleceu trajetória própria, inclusive com trabalho na direção. Lucy Hale seguiu para projetos solo, como Life Sentence, e, mais recentemente, participou do revival de Pretty Little Liars: Original Sin, produção da HBO Max lançada em 2022 que reiniciou o universo com um elenco completamente novo e uma abordagem mais explicitamente voltada ao horror.
Original Sin chegou com a proposta de recontextualizar a franquia para uma geração que cresceu com Euphoria e Scream Queens e foi renovada para uma segunda temporada, intitulada Summer School, exibida em 2023. A recepção crítica foi mais favorável do que a série original jamais recebeu, em parte porque o novo formato não precisava sustentar o peso de sete anos de mistérios acumulados.
O impacto cultural de Pretty Little Liars no ciclo 2010-2017 foi suficiente para manter a franquia viva quase uma década depois do encerramento. Isso coloca a série num grupo restrito de produções teen que conseguem gerar descendência criativa real, ao lado de Gossip Girl e The Vampire Diaries, ambas com revivals de fortuna variada. A diferença é que o universo de Rosewood parece ter encontrado uma segunda vida mais consistente do que a maioria dos seus contemporâneos.


There are no reviews yet.