Quando o assunto é série adolescente fica difícil fugir dos típico cenário norte-americano dos corredores da escola, do grupo dos personagens populares e dos desajustados. Glee conseguiu desenvolver um drama com maior profundidade, utilizando da música para alcançar tal objetivo e fugir dos esteriótipos.
Julie and the Phantoms – estreia 10 de setembro na Netflix – não é sarcástico como a sua antecessora – e esse nem é o objetivo. Com produção de Kenny Ortega, (High School Musical) o programa usa da música para contar a história de uma jovem que perde a mãe e tem a ajuda de três fantasmas adolescentes, mortos há 25 anos por comerem um cachorro quente estragado, para voltar a cantar.
A trama é baseada em uma produção brasileira que foi exibida, de 2011 e 2012, na Bandeirantes e no Nickelodeon. Mariana Lessa interpretou a protagonista nesta versão.
Os novos episódios da trama brincam com o fato de que o trio – Luke (Charlie Gillespie), Alex (Owen Joyner) e Flynn (Jadah Marie) – tem que se adaptar ao século 21 e suas modernidades, ao passo que ele tentam entender qual seria o assunto pendente que os mantêm no mundo dos vivos e o porquê de sua conexão com Julie (Madison Reyes).
Aliás, o grupo formado pelos personagens, que dá nome a série, só consegue ficar visível para outros humanos quando tocam juntos. Julie convence a todos que sua apresentação é feita por meio de hologramas, mas há que desconfie de tal artifício, principalmente quando um nome do passado dos garotos e da banda Sunset Curve ressurge em suas vidas.
A série é divertida e tem narrativa bem amarrada. Como a temática é adolescente, é claro que toda a jornada está ligada ao crescimento dos personagens, que cada vez mais se aproximam dos dilemas da vida adulta. Outro ponto alto são as apresentações musicais. Os atores, a maioria novata no ramo, dão um show de talento em sua as apresentações e a química entre Charlie e Madison transborda na tela.
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No mais, Julie and the Phantoms também brinca com o sobrenatural ao apresentar um fantasma muito poderoso que tenta roubar a energia dos protagonistas, Caleb Covington (Cheyenne Jackson). Mas é claro, nada muito assustador ao público mirim, para quem o programa é destinado. O que não deixa de conquistar também os espectadores adultos.
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.


