Humans: elenco apresenta dinâmica tensa da 2ª temporada, com robôs no controle

Humans é uma coprodução entre AMC e Channel 4 lançada em 2015, baseada na série sueca Äkta Människor (“Real Humans”). A primeira temporada foi o drama original mais assistido da história do Channel 4, com média de 5,7 milhões de espectadores por episódio no Reino Unido, e gerou renovação imediata antes mesmo do término da exibição. Nos Estados Unidos, a estreia na AMC atraiu 3,4 milhões de telespectadores, tornando-a a série mais vista do canal em seis anos, atrás apenas de The Walking Dead.

A segunda temporada retoma com Niska (Emily Berrington) ainda de posse do código que pode despertar consciência nos sintéticos, enquanto os demais personagens se dispersam. Mia (Gemma Chan) deixa a família Hawkins para tentar entender seu lugar no mundo fora do ambiente doméstico. Segundo a própria atriz, a personagem vai “fazer coisas que nunca teve coragem” e a jornada será “mais obscura e profunda”, com a ingenuidade sendo testada pelo contato com humanos que não estão preparados para lidar com sintéticos conscientes. Para Chan, que nos anos seguintes ganharia projeção internacional com Crazy Rich Asians (2018) e o universo Marvel em Eternals (2021), Mia representa um trabalho de composição física e emocional distinto de qualquer outro papel que ela assumiu, exigindo contenção expressiva que o cinema raramente demanda da mesma forma.

Mia encontra Ed, interpretado por Sam Palladio, conhecido do público por Nashville, onde viveu o músico Gunnar Scott por seis temporadas. Ed é um jovem que administra um pequeno café no interior, cuida da mãe doente e nunca teve contato próximo com sintéticos. A dinâmica entre os dois é o que os roteiristas descrevem como peça central da temporada: ele a trata como humana desde o início, sem o peso do preconceito que permeia o mundo da série.

A equipe que expandiu o universo

Os produtores executivos Sam Vincent e Jonathan Brackley, que assumiram a adaptação britânica após trabalhos em Spooks, conceberam a segunda temporada com “alcance global” em mente. Os personagens se espalham por locações diferentes antes de convergir, uma estrutura narrativa que contrasta com o confinamento doméstico da primeira fase. A produção também ampliou o número de locações externas, afastando deliberadamente a câmera das salas e cozinhas que definiram a temporada anterior, onde o desconforto era construído pela proximidade física entre humanos e sintéticos no espaço mais privado possível.

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Para Colin Morgan, o Leo da série, também conhecido por Merlin, a temporada gira em torno de uma pergunta concreta: o que acontece quando as “coisas” que cuidam da sua casa e dos seus filhos passam a tomar decisões próprias. Tom Goodman-Hill, que vive Joe Hawkins, descreve a família tentando um recomeço sem sintéticos, mudando de casa e mantendo os filhos afastados de conflitos. Mas a presença dos robôs conscientes volta a interferir na vida deles, e a filha Sophie carrega o impacto emocional da separação de Mia, sua ex-babá. A escolha de colocar esse peso em uma criança, e não nos adultos, é uma das apostas mais calculadas dos roteiristas: adultos racionalizam, crianças sentem a perda sem filtro.

Tecnologia Vs. Humanidade

O debate sobre inteligência artificial em 2016 e 2017, quando a segunda temporada foi produzida e exibida originalmente, ainda não tinha a urgência que ganhou nos anos seguintes. Humans apostou cedo na ideia de que o conflito mais perturbador não seria humanos contra máquinas, mas a zona cinzenta onde sintéticos sentem ressentimento por limitações que os humanos impõem e que a própria biologia não explicaria. Eles não envelhecem, não morrem, mas também não podem ter filhos. Os produtores apontam essa assimetria como o motor emocional da temporada, algo que transforma a série de ficção científica doméstica em um drama sobre identidade e pertencimento.

Comparada a Westworld, que estreou na HBO em outubro de 2016 com orçamento estimado de 100 milhões de dólares para a primeira temporada, Humans opera com recursos menores e apostas narrativas mais contidas. Isso nunca foi um problema para o público britânico. Revisitada hoje, a série soa menos como especulação e mais como descrição antecipada de um debate que o mundo ainda não tinha vocabulário para travar. Essa é a medida mais honesta de uma boa ficção científica.

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