Os filmes da Pixar que todo adulto (e criança) precisa assistir

A Pixar chegou ao cinema em 1995 como uma aposta arriscada: um estúdio de animação digital que apostava em histórias emocionalmente complexas para um público que o mercado tratava como infantil. Quase três décadas depois, o catálogo acumulado é um dos mais consistentes da história do cinema de animação. Antes de Lightyear tentar reposicionar Buzz Lightyear como protagonista solo, vale revisitar os títulos que construíram essa reputação.

Toy Story: o modelo que ainda vale

Lightyear

Toy Story não foi apenas o primeiro longa da Pixar. Foi o primeiro longa-metragem inteiramente feito em computação gráfica da história do cinema. Lançado em 1995 com orçamento de 30 milhões de dólares, arrecadou 373 milhões nas bilheterias mundiais e transformou John Lasseter em nome obrigatório do setor. A história de Woody e Buzz funciona porque opera em duas camadas ao mesmo tempo: para crianças, é uma aventura com brinquedos falantes; para adultos, é um filme sobre obsolescência e medo de ser substituído. A franquia se estendeu por mais três sequências, sendo Toy Story 3, de 2010, frequentemente citado por críticos como um dos melhores filmes de animação já feitos, com 100% no Rotten Tomatoes no acumulado da temporada de lançamento.

Outro investimento foi na história do astronauta Lightyear, mas teve menos sucesso de público. Atualmente, a franquia estreia seu quarto filme.

Monstros S.A.: o susto que virou ternura

monstros sa

Lançado em 2001, Monstros S.A. arrecadou 577 milhões de dólares globalmente e consolidou Pete Docter como um dos diretores centrais da Pixar. A premissa inverte a lógica do monstro embaixo da cama: são os monstros que têm medo das crianças, não o contrário. Sulley e Mike Wazowski passaram a integrar o imaginário pop de forma duradoura. O universo ganhou continuidade com Universidade Monstros em 2013 e com a série Monstros no Trabalho, lançada no Disney+ em 2021, estrelada por Billy Crystal e John Goodman repetindo os papéis originais.

Procurando Nemo: a Pixar no fundo do mar

procurando nemo

Procurando Nemo, de 2003, foi o filme mais rentável do ano em que estreou, com mais de 940 milhões de dólares em bilheteria mundial. Dirigido por Andrew Stanton, o filme ganhou o Oscar de Melhor Animação e colocou a Pixar em outro patamar de reconhecimento da Academia. A história de um pai superprotetor cruzando o oceano para resgatar o filho tem uma camada frequentemente ignorada: Marlin sofre de ansiedade severa como resposta a um trauma real, e o filme trata isso com mais seriedade do que a maioria das produções adultas. Procurando Dory, spin-off lançado em 2016, quebrou recordes de estreia para filmes de animação nos Estados Unidos.

WALL-E: ficção científica com coração

WALL-E

Lançado em 2008, WALL-E passou os primeiros quarenta minutos sem diálogos convencionais, uma decisão que os executivos da Disney inicialmente questionaram. Custou 180 milhões e faturou 521 milhões. Ganhou o Oscar de Melhor Animação e entrou em listas dos melhores filmes de ficção científica da década, ao lado de títulos live-action. A história do robô solitário apaixonado por uma sonda moderninha funciona como crítica ao consumismo e ao isolamento tecnológico, temas que ficaram ainda mais pertinentes após a pandemia.

Up: os primeiros dez minutos que mudaram o padrão

up altas aventuras

Up-Altas Aventuras, de 2009, ficou famoso pela sequência de abertura que condensa uma vida inteira em quatro minutos sem fala. O filme foi o segundo de animação a competir na disputa de Melhor Filme no Oscar, categoria principal. Arrecadou 735 milhões de dólares e venceu Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora. A série As Aventuras de Dug, lançada no Disney+ em 2021, expande o universo do personagem canino com episódios curtos.

Viva: quando a Pixar acertou o tom cultural

viva a vida é uma festa

Viva, de 2017, foi desenvolvido com consultoria extensa de especialistas em cultura mexicana, após a Disney ter tentado registrar a marca “Día de los Muertos” em 2013 e recuar diante da repercussão negativa. O filme arrecadou 807 milhões de dólares, venceu o Oscar de Melhor Animação e Melhor Canção Original, e “Remember Me” se tornou um dos temas mais tocados do catálogo da Pixar em plataformas de streaming. É o título que melhor representa o que o estúdio aprendeu a fazer ao longo de três décadas: contar histórias universais sem apagar as especificidades culturais que as tornam verdadeiras.

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