Como ‘Love Kills’ transformou o centro de São Paulo em um cenário de vampiros

Love Kills, a aguardada adaptação da aclamada graphic novel de Danilo Beyruth, chega aos cinemas com a promessa de transformar o centro de São Paulo em uma espécie de Gotham City tomada por mistério, sangue e uma profunda reflexão sobre a invisibilidade humana.

Para entender a trama, o Pop Series bateu um papo exclusivo com a diretora e o elenco do longa: Thais Lago, Luiza Shelling, Erom Cordeiro e Gabriel Stauffer. O resultado? Uma conversa franca sobre os desafios da produção nacional e referências que vão desde os clássicos do terror até os blockbusters de Hollywood.

Não é segredo para ninguém que o mercado audiovisual brasileiro é historicamente dominado por dramas realistas e comédias de grande público. Praticar o cinema de terror e o sobrenatural por aqui ainda é um exercício de pura resistência.

Durante a entrevista, a produtora e diretora Luiza Shelling destacou a necessidade do Brasil criar “musculatura” para o cinema de gênero, citando o exemplo da Coreia do Sul, que hoje exporta blockbusters de ação e zumbis para o mundo inteiro. Para ela, o grande trunfo de Love Kills foi pegar um arquétipo internacional — o vampiro — e temperá-lo com a nossa própria realidade. É o que o elenco brinca ao chamar de nascimento do “vampiro feijoada”: um terror levado a sério, mas com o tempero e a alma do Brasil.

São Paulo como personagem: a cidade invisível

Esqueça os castelos da Transilvânia. Em Love Kills, o cenário do horror é o centro de São Paulo. A escolha das locações não foi estética; ela reflete diretamente o drama dos personagens. “A cidade me atravessou e formou o corpo da Helena”, revelou a atriz Thais Lago.

Helena, a vampira protagonista, vive nas sombras, invisível e sem relações — um paralelo direto e doloroso com a população vulnerável e esquecida que habita as ruas da maior metrópole da América Latina. O ator Erom Cordeiro complementa essa visão, pontuando que, se os vampiros existissem de verdade no Brasil, eles certamente escolheriam o centro de São Paulo para se esconder. Para quem conhece a capital paulista, o filme funciona também como um mapa de reconhecimento afetivo (e sombrio), passando por pontes, bares e o submundo da noite paulistana.

De O Iluminado a Blade: as referências de Love Kills

Quem assistir ao clímax do filme vai notar uma homenagem clara a um dos maiores diretores da história do cinema: Stanley Kubrick. Em uma das cenas mais intensas de ação, o personagem Marcos (vivido por Gabriel Stauffer) empunha um machado em um momento que faz qualquer fã buscar a referência de O Iluminado.

E elas não param por aí. O elenco revelou que o filme bebe de fontes ricas e diversas: Nosferatu (F.W. Murnau), o pai visual e conceitual de toda a mitologia vampírica, e Blade (1998), o ritmo ágil, as lutas e a atmosfera urbana das coreografias de ação.

Séries de vampiros para todos os gostos

Um triângulo amoroso que inverte as regras

O que mais encanta em Love Kills é como a produção subverte os clichês de gênero. Esqueça a mocinha indefesa esperando ser salva pelo amor romântico. Aqui, as figuras masculinas (Marcos e Laszlo) são movidas por inseguranças, possessividade e fragilidades, enquanto Helena detém o controle absoluto de seu destino. Ela é poderosa, caça os “piores homens que consegue encontrar” e deixa claro que o amor não é o que vai salvá-la.

E para os fãs que já estão ansiosos após o desfecho impactante do longa, o elenco deixa a porta aberta. Uma continuação depende inteiramente dos próximos passos de Danilo Beyruth nos quadrinhos, mas a sede por mais histórias desse universo com certeza não acabou.

Assista ao nosso vídeo exclusivo com a entrevista abaixo.

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