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Crítica

Normal People: série britânica é aclamada ao apresentar um romance real e genuíno

Por 14 de julho de 2020 julho 20th, 2020 Sem Comentários

Se você ainda não ouviu falar sobre Connell e Marianne, saiba que eles vão conquistar e abalar o seu coração. Normal People é uma daquelas séries que é capaz de mexer profundamente com o público.

O programa é uma uma coprodução da BBC com o Hulu e chega ao Brasil pela plataforma Starzplay, no dia 16 de julho.

Assista ao promo de Normal People

Baseada no best-seller homônimo escrito por Sally Rooney, a trama conta a história de dois jovens que se apaixonam no colégio: Marianne e Connell. Ela é uma jovem de inteligente, sarcástica que sofre bullying no colégio todos os dias. Já o rapaz é um atleta popular, muito simpático e querido por todos. Pode parecer que você já tenha visto sinopses muito parecidas com essa, mas Normal People é muito diferente das produções teens exibidas nos últimos tempos.

A primeira quebra de clichê acontece quando a jovem que é ridicularizada na escola, desta vez, pertence à classe alta e o rapaz tem origem mais humilde. A mãe de Connell (Paul Mescal) trabalha limpando a casa de Marianne (Daisy Edgar-Jones) e, quando o jovem busca a mãe no serviço, uma atração começa entre os dois.

O casal decide manter a relação em segredo e a decisão parte primeiramente de Marianne, mesmo sem saber que as consequências a acompanhariam na vida adulta. Connell concorda facilmente para não ser alvo de piada dos amigos e também por sofrer de crises de ansiedade.

Dois fatores unem os protagonistas: um romance instantâneo e o fato de que um entende o outro mais do que ninguém. Há cenas lindas e reais sobre a descoberta da sexualidade, que são íntimas, explícitas e delicadas. Sem trilhas sonoras melosas, a paixão é exposta pela respiração. E naquele momento, a insegurança de Connell aparece apesar de sua popularidade, enquanto a baixa auto-estima de Marianne se intensifica. No fundo, cada um tem o que outro gostaria de ter: Connell tem bondade genuína e Marianne tem honestidade invejável.

normal people

Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones brilham ao interpretar o casal Connell e Marianne

A trama não fica restrita apenas ao período do colégio, mostrando os personagens em diferentes fases de vida. Os jovens vão para faculdade e os papéis se invertem. Marianne se encaixa perfeitamente em um ambiente acadêmico e Connell fica inseguro em verbalizar suas ideias. O interessante é que a narrativa não se apega ao romantismo de deixar o casal sempre junto. Os dois tem conquistas, contratempos, viagens, separações e reencontros, sempre se apoiando em dificuldades ou até conversando sobre outros relacionamentos amorosos. O interessante é que eles estão sempre em sincronia, aquela conquistada pelo primeiro amor.

Normal People é um romance adolescente complexo que apresenta uma trama, muitas vezes, melancólica. Ele aborda temas como depressão, dificuldades financeiras e relacionamentos abusivos familiares. Alguns espectadores podem sentir falta de arcos narrativos paralelos, já que nenhum personagem coadjuvante é desenvolvido. Os olhares estão voltados somente para Connell e Marianne.

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No final, a série mostra como as relações amorosas da adolescência e as experiências sofridas podem deixar marcas permanentes na vida adulta, tanto para bem quanto para o mal. E acima de tudo, fala sobre crescimento e amadurecimento. Mostra como é doloroso e necessário o processo de deixar de ser quem você é para ser tornar quem você deseja ser.

Obviamente, grande parte do sucesso do seriado deve-se a interpretação de Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal. Ela é conhecida por atuar em Cold Feet e o ator faz sua estreia na TV. Eles oferecem uma atuação genuína a um casal que revela todas as suas camadas para os espectadores. Em um season finale emocionante, eles mostram como a realidade de uma história de amor, em que o final feliz é desejar o melhor para o seu companheiro, mesmo que isso não signifique que eles fiquem juntos.

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Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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