Ragnarok: trailer completo da 2ª temporada é revelado pela Netflix

A Netflix liberou o trailer da segunda temporada de Ragnarok, com estreia marcada para 27 de maio na plataforma. O vídeo confirma o que a primeira temporada deixou no ar: Laurits, irmão de Magne, é a versão da série para Loki, e os dois estão em lados opostos do conflito que se aproxima.

O apocalipse começa numa cidade pequena

Ragnarok se passa em Edda, cidade fictícia norueguesa sufocada por uma indústria que contamina o meio ambiente e concentra riqueza nas mãos de uma única família poderosa, os Jutul. A série usa a mitologia nórdica não como fantasia épica, mas como metáfora climática: os gigantes são os vilões porque são eles que poluem, que ignoram os danos, que mantêm o status quo. Magne, o adolescente que desperta como Thor, é o único que enxerga o problema com clareza suficiente para agir.

Essa escolha de ambientação rendeu à série uma identidade bem distinta dentro do catálogo de produções europeias da Netflix. A primeira temporada foi filmada em Odda, cidade real que serviu de inspiração para Edda e que tem histórico real de problemas ambientais ligados à indústria química. O detalhe não é decorativo: a produção usou locações reais da cidade, e parte da equipe técnica era local.

Thor sem martelo, Loki sem máscara

David Stakston interpreta Magne desde o início, e sua construção do personagem foge do arquétipo do herói confiante. O Thor desta série tropeça, duvida e ainda está aprendendo a usar os poderes quando a segunda temporada começa. A dinâmica com Laurits, vivido por Jonas Strand Gravli, foi o motor emocional mais eficiente da primeira temporada e agora ganha peso extra com a confirmação do papel de Loki.

Gravli entregou uma das performances mais comentadas da série justamente pela ambiguidade do personagem. Laurits nunca pareceu nem herói nem vilão de forma definitiva, o que torna a virada da segunda temporada mais incômoda do que surpreendente. A série foi criada por Adam Price, dinamarquês conhecido por Borgen, e essa influência escandinava de drama político e familiar aparece na forma como os conflitos internos dos personagens pesam tanto quanto os sobrenaturais.

O que mudou entre uma temporada e outra

A primeira temporada de Ragnarok estreou em janeiro de 2020 e entrou rapidamente para a lista de produções não anglófonas mais assistidas da Netflix naquele período, seguindo o caminho aberto por Dark e La Casa de Papel. A série norueguesa atraiu audiência em parte por ser acessível: o ritmo é mais lento que o de produções americanas, mas a premissa é imediata.

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A segunda temporada chega com uma pressão diferente. O trailer sugere escala maior, com Magne finalmente em confronto direto com os gigantes e a relação com Laurits se tornando o conflito central. Se a primeira temporada funcionou como apresentação, essa precisa ser o momento em que as peças se movem de verdade. O risco de séries com mitologia desse tipo é sempre o mesmo: construir uma estrutura interessante na primeira temporada e se perder em batalhas genéricas a partir da segunda. Ragnarok tem os ingredientes para desviar disso, mas vai depender de quanto Price e sua equipe resistirem à tentação de espetacularizar o que até agora funcionou pelo subtexto.

Com Dark encerrada em 2020 e Ragnarok sendo a produção europeia da Netflix com perfil mais parecido em termos de atmosfera e apelo, a segunda temporada chega num momento em que o público que sentiu falta da série alemã está disponível e procurando algo para substituí-la. É uma janela real.

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