The Following é um thriller policial que estreou na Fox em janeiro de 2013 e se sustentou por três temporadas até seu cancelamento em 2015. A série acompanha a relação tensa e psicologicamente carregada entre Joe Carroll, um professor universitário de literatura e serial killer carismático interpretado por James Purefoy, e Ryan Hardy, agente aposentado do FBI vivido por Kevin Bacon. Hardy foi o responsável pela prisão de Carroll anos antes e carrega as marcas físicas e emocionais desse confronto, incluindo um marca-passo instalado após uma facada que o próprio Carroll desferiu. Quando Carroll escapa da prisão, o FBI recruta Hardy de volta para liderar a investigação, e o que começa como uma caçada convencional rapidamente revela uma escala muito maior do que qualquer um esperava.
O elemento que diferenciou The Following de outros procedurais de crime da época foi justamente essa camada do culto. Durante seus anos de encarceramento, Carroll usou correspondências, visitas e contatos externos para recrutar e doutrinar seguidores espalhados por todo o país, pessoas comuns com vidas aparentemente normais, todas dispostas a matar em seu nome. A inspiração literária do personagem, obcecado pela obra de Edgar Allan Poe, serviu como moldura temática para os crimes e deu à série um verniz intelectual que a distinguia visualmente de produções similares.
Kevin Bacon aceitou o papel num momento em que estava fazendo a transição mais consistente para a televisão, terreno que os atores de cinema passaram a encarar com mais seriedade a partir do boom do drama de cabo dos anos 2000. A série foi desenvolvida por Kevin Williamson, criador de Dawsons Creek e roteirista de Scream, o que explicava o domínio sobre tensão e ritmo narrativo já desde o piloto. A produção foi bem recebida inicialmente pela crítica, que elogiou a atuação de Bacon e a premissa, embora a cobertura tenha se tornado mais dividida ao longo da segunda temporada, quando parte dos críticos apontou repetição nas situações e violência excessiva sem consequência dramática proporcional.
Em termos de audiência, a estreia foi um sucesso expressivo para a Fox, reunindo cerca de 10 milhões de espectadores nos Estados Unidos, um número robusto para um drama de rede aberta naquele período. A segunda temporada manteve uma base fiel, mas os números foram caindo progressivamente, e a terceira, exibida em 2015, já operava com audiências bem menores, o que motivou o cancelamento sem conclusão satisfatória, algo que irritou parte do público que acompanhou a série até o fim.
James Purefoy, ator britânico que já tinha aparições de destaque em Roma, da HBO, entregou uma performance que muitos consideraram o ponto alto da produção. Carroll foi construído como um antagonista sedutor e eloquente, cuja ameaça vinha tanto da inteligência quanto da capacidade de inspirar lealdade cega nos outros. A dinâmica entre ele e Bacon funcionou especialmente bem nas cenas de confronto direto, onde os dois atores sustentavam o peso dramático sem precisar de suporte de roteiro elaborado.
The Following não reinventou o gênero, mas chegou num momento em que a televisão americana ainda tinha espaço para thrillers de rede aberta com ambição cinematográfica e elenco de peso, e soube ocupar esse espaço com competência durante pelo menos suas primeiras temporadas.



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