Em um universo em que o sobrenatural é a norma e a linha entre a vida e a morte é mais tênue que um fio de cabelo de vampiro, The Vampire Diaries se encontra em uma encruzilhada perigosa. Entre descobertas místicas, vinganças sanguinárias e perdas dilacerantes, a série parece lutar com unhas e dentes para manter o fôlego – e, mais importante, o interesse – da legião de fãs que a acompanha desde os primeiros suspiros em Mystic Falls. Expedições a ilhas desertas e os conflitos épicos com os vampiros originais podem até seduzir o público com a promessa de adrenalina, mas, sejamos francos, a trama principal tem se desviado perigosamente de seu dilema central, aquele que realmente nos tira o sono: afinal, o galã fica ou não com a mocinha?
Baseada na aclamada série de livros da escritora americana Lisa Jane Smith, a série nos apresentou à complexa relação de uma garota humana, Elena Gilbert (Nina Dobrev), com os irmãos vampiros Salvatore. Desde o princípio, e como os próprios produtores declararam em alto e bom som, o destino de Elena parecia selado ao lado de Stefan (Paul Wesley), o irmão mais novo, o bom moço atormentado. Uma promessa de amor épico, puro e sacrificial.
Contudo, o tempo é um senhor implacável, e com Elena recém-transformada em vampira, o enredo parece ter virado de cabeça para baixo. De repente, o bad boy Damon (Ian Somerhalder), com seu charme perigoso e seu coração que pulsa entre a escuridão e a redenção, pode, sim, levar a melhor nesta disputa que já dura temporadas. O próprio Ian Somerhalder, em entrevistas, já deu a entender que o futuro de Elena e Damon é um terreno fértil para reviravoltas, alimentando a esperança (ou o desespero) de muitos.
A encruzilhada de Mystic Falls: o triângulo amoroso que não se decide
A quarta temporada, que prometia ser o divisor de águas, a temporada da grande resolução do triângulo amoroso que nos consome, acabou se afogando em um mar de tramas mornas e teorias conspiratórias que, francamente, parecem mais uma fuga do que um avanço. Onde está a Elena vampira que esperávamos? Aquela que abraçaria sua nova natureza com ferocidade e paixão? Ela não parece e muito menos age como uma criatura da noite. Quem sabe com a possível e iminente morte de seu irmão, Jeremy, seu lado obscuro, finalmente, emerja e nos presenteie com a vampira destemida que ela deveria ser. Stefan, por sua vez, continua preso em uma crise existencial sem fim, uma espiral de angústia que, a esta altura, já se tornou repetitiva e cansativa. E Damon? Ah, Damon! Ele transita entre sua ética um tanto quanto questionável e momentos de heroísmo duvidoso, deixando-nos sempre na dúvida sobre suas verdadeiras intenções.
A cereja do bolo dessa indecisão narrativa é a criação de um laço de ligação — o famoso sire bond — para explicar o novo romance entre Elena e Damon. Uma muleta narrativa que grita indecisão, revelando o conflito interno dos produtores, que ainda não conseguiram resolver o dilema central da série – ou, talvez, não queiram pensar nele no momento, preferindo enrolar o público com subterfúgios. É quase como se estivessem jogando xadrez com o coração dos fãs, movendo as peças sem um plano claro, apenas para estender o jogo.
Séries de vampiros para todos os gostos
Lembrem-se de Dawson’s Creek (1998-2003). Mesmo focada em uma temática adolescente e sem o apelo sobrenatural, a série teve um pulso firme e uma coragem inegável na hora de dar a Joey Potter um final definitivo ao lado de Pacey Witter. Foi uma decisão ousada, que dividiu fãs, mas que demonstrou uma convicção narrativa que The Vampire Diaries parece ter perdido pelo caminho. A série da CW, que já nos acostumou a reviravoltas chocantes e mortes inesperadas, agora titubeia quando o assunto é o coração de sua protagonista. Essa falta de audácia em tomar uma decisão final para o triângulo amoroso principal é o que, ironicamente, está minando o interesse em sua própria história.
O respiro inesperado: Klaus e Caroline, a faísca que salva
Em meio a tanto marasmo e indecisão, surge um raio de esperança, uma faísca que promete incendiar os próximos capítulos: o romance conturbado e inegavelmente magnético entre Klaus Mikaelson (Joseph Morgan) e Caroline Forbes (Candice Accola). Com Tyler Lockwood fora do páreo, o caminho parece livre para que esses dois se encontrem de verdade, ou, pelo menos, para que a paquera apimente a trama de uma forma que o triângulo central não consegue mais. A química entre Klaus e Caroline é palpável, e a promessa de um futuro para eles é, no momento, o único casal que realmente nos prende, fazendo-nos torcer por cada olhar, cada toque, cada palavra não dita. É a prova de que, mesmo em meio à indecisão, a série ainda pode acertar em cheio quando se arrisca.
Coragem, infelizmente, é o que falta para The Vampire Diaries persistir além do modismo teen e se firmar como uma série que não tem medo de fazer escolhas. É hora de parar de andar em círculos, de abraçar o risco e de dar aos seus personagens – e aos seus fãs – o desfecho que eles merecem. O público quer ser surpreendido, quer ser viciado, mas, acima de tudo, quer ver uma história com propósito e um final digno. Será que os produtores terão a audácia de finalmente decidir o destino de Elena, ou continuarão a nos arrastar por um labirinto sem saída? A resposta, esperamos, virá antes que o interesse se esvaia completamente, como a névoa ao amanhecer em Mystic Falls.


Concordo
nossa , eu só muito fã dos três , eu amo eles muito vejo os filmes deles todinhos ! e não me canso de assisti , eles são foda :3
Verdade, qs nem assisti TVD essa temp pq esta mtt chato!