A terceira temporada de 1 Contra Todos estreia nesta segunda-feira (23) simultaneamente nos canais Fox e Fox Premium 2, a partir das 22h30. Os oito episódios da temporada completa ficam disponíveis no Fox App logo após a exibição do primeiro, para quem preferir maratonar.
O que muda na terceira temporada
Cadu (Julio Andrade) chega à nova fase em frangalhos. Depois de ser preso injustamente por tráfico na primeira temporada e eleger-se deputado federal na segunda, apenas para assistir à sua família desmoronar em Brasília, o personagem enfrenta agora o custo real de suas escolhas. Malu (Julia Ianina) está definitivamente separada dele e trabalha como vendedora de café em um supermercado. Téo, o filho, é condenado e preso por envolvimento com narcotráfico.
A saída para Cadu tentar se redimir é aceitar uma missão de alto risco: infiltrar-se no cartel de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, para desmantelar a organização de Pepe (Roberto Birindelli) e finalmente entregar o traficante que o ameaça desde o primeiro episódio da série. É uma virada geográfica e narrativa considerável para uma produção brasileira da TV paga, que até então centrava a ação no Brasil.
O diretor Breno Silveira descreveu a temporada como um exercício de fragmentação. “Nós iremos seguir os três personagens separados, cada um em sua trajetória, cada um tendo os seus problemas e os seus acertos”, disse. Para ele, a relação entre pais e filhos continua sendo o motor emocional da série. “Eu me coloco na posição do Cadu e consigo sofrer, amar, ver o mundo e mudar de ideia junto com ele.”
A escala da série
1 Contra Todos é a produção nacional com maior audiência na história da Fox Brasil, superada na grade do canal apenas por The Walking Dead. O desempenho levou a série para além das fronteiras: um canal turco adquiriu os direitos de exibição, e uma versão mexicana está em desenvolvimento, o que posiciona a produção dentro de um movimento mais amplo de exportação do drama brasileiro pela TV paga.
A série acumula indicações ao Emmy Internacional e ao APCA, prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, referência histórica na crítica audiovisual brasileira. Julio Andrade construiu em Cadu um dos personagens centrais da ficção televisiva nacional dos anos 2010, ao lado de nomes como José Alfredo, de Império, e Rubinho, de Carcereiros, em termos de protagonistas masculinos moralmente ambíguos que dominaram o debate sobre séries no país.
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Por que esta temporada importa
A aposta na Bolívia como cenário amplia o escopo geopolítico da narrativa em um momento em que o crime organizado transnacional virou tema recorrente na ficção latino-americana, de El Chapo ao reboot de Narcos. 1 Contra Todos entra nessa conversa com uma diferença: o centro da história não é o traficante, mas o homem comum que o sistema destruiu e que agora precisa usar as ferramentas desse mesmo sistema para sobreviver.
Para o espectador que acompanha desde o início, a terceira temporada fecha um arco que começou com uma prisão injusta e passou pelo poder político corrompido. Se Cadu conseguir ou não entregar Pepe, o percurso já transformou o personagem em algo irreconhecível em relação ao advogado honesto do primeiro episódio. Essa é, talvez, a informação mais relevante que a temporada carrega antes mesmo de começar.
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

