Cenas hot e figurino moderno: adaptacão polêmica de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’ não agrada leitores

Se você já se emocionou com as páginas de O Morro dos Ventos Uivantes, o melhor conselho que você pode receber agora é: cuidado ao entrar na sala de cinema. A nova produção, que deveria ser a adaptação definitiva do clássico de Emily Brontë para a nova geração, está se provando uma decepção amarga para quem valoriza a fidelidade literária. O motivo? O filme, na verdade, não é uma adaptação, mas sim uma “inspiração” livre que ignora pilares fundamentais da obra original para abraçar uma estética hollywoodiana que muitos consideram vazia.

Diferente de clássicos como Orgulho e Preconceito ou Emma, que tratam o material de origem com certa reverência, este novo longa toma liberdades que alteram a alma da história. A começar pelo elenco: a escolha de Margot Robbie para viver Catherine e Jacob Elordi como Heathcliff gerou um choque imediato. Enquanto Robbie é uma estrela inquestionável, sua maturidade e beleza estonteante contrastam com a Catherine de 16 anos do livro — uma jovem de personalidade selvagem, cabelos pretos e um carisma que não dependia da perfeição visual para prender o leitor.

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Essa mudança na essência dos protagonistas é apenas a ponta do iceberg. Um dos temas mais densos do livro é o racismo e a exclusão social sofrida por Heathcliff. Na obra de Brontë, ele é descrito como uma criança de pele escura, alguém que não pertencia àquele mundo inóspito e bucólico do interior da Inglaterra. Ao escalar Elordi, o filme ignora essa camada crucial de tensão racial que motiva a obsessão e a vingança do personagem. A transformação de uma crítica social potente em um simples triângulo amoroso entre atores “padrão” remove o peso dramático que tornou o livro imortal.

A diretora Emerald Fennell, conhecida pelo polêmico Saltburn, trouxe sua assinatura visual carregada de excessos. Embora a fotografia seja deslumbrante, capturando o clima frio e cortante das charnecas, as escolhas de figurino são bizarras. Prepare-se para ver materiais modernos, como plástico, misturados aos trajes do século 19. A intenção era criar uma “modernidade romântica”, mas para o leitor assíduo, parece apenas um anacronismo desnecessário que retira a imersão na trama original de O Morro dos Ventos Uivantes.

Além disso, personagens cruciais que ajudam a tecer a teia de obsessão da família Linton foram reduzidos a meros figurantes ou simplesmente eliminados. No livro, a relação de Catherine com Edgar Linton é motivada pela ambição juvenil e pela ilusão de ascensão social de uma adolescente. No filme, temos uma mulher adulta que parece plenamente consciente de seus erros, o que tira toda a tragédia da impulsividade que Brontë descreveu tão bem.

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Até mesmo a estrutura narrativa foi alterada. Enquanto o livro usa o ponto de vista de empregados e novos moradores para criar um mistério gótico, o filme foca quase exclusivamente na paixão destrutiva do casal central, inserindo cenas “quentes” para atrair o público jovem, mas esquecendo-se de desenvolver a complexidade psicológica que cerca o desejo e o ódio.

Qual é a trama de O Morro dos Ventos Uivantes?

O Morro dos Ventos Uivantes narra a história de amor obsessivo e destrutivo entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, um órfão acolhido ainda criança pela família da jovem. Criados juntos na propriedade rural conhecida como Morro dos Ventos Uivantes, eles desenvolvem uma ligação intensa, marcada por paixão, cumplicidade e uma profunda conexão espiritual. No entanto, esse vínculo também é permeado por orgulho, ressentimento e tragédias, que lentamente corroem a relação.

Catherine, dividida entre seu amor por Heathcliff e o desejo de ascender socialmente, decide se casar com Edgar Linton, um homem rico, educado e respeitado. Essa escolha é interpretada por Heathcliff como uma traição irreparável. Tomado por mágoa e sede de justiça, ele abandona o local, apenas para retornar anos depois, mais rico e determinado a se vingar de todos que o humilharam.

o morro dos ventos uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes, filme estreia em 2026

A partir desse momento, a narrativa mergulha em temas sombrios como ódio, desejo, vingança e obsessão, explorando os limites do amor romântico e revelando como ele pode se transformar em uma força devastadora. Heathcliff, antes visto como um jovem vulnerável, torna-se um personagem movido por rancor e pelo desejo de destruir não apenas Edgar, mas também aqueles ligados à família Earnshaw. Catherine, por sua vez, vive em constante conflito interno, dilacerada entre a vida que escolheu e a paixão arrebatadora que jamais deixou de sentir.

O romance se destaca por sua estrutura inovadora para a época. Emily Brontë utiliza narradores múltiplos, em especial a governanta Nelly Dean, que relata os acontecimentos a outro personagem, criando uma história dentro da história. Além disso, a atmosfera gótica e sombria das charnecas inglesas é quase um personagem à parte, reforçando o clima opressivo e turbulento que envolve Catherine e Heathcliff.

Publicado em 1847, o livro foi inicialmente recebido com estranhamento, já que sua intensidade emocional, a violência psicológica dos personagens e o retrato cru da natureza humana não correspondiam ao ideal romântico da época. Contudo, com o passar dos anos, O Morro dos Ventos Uivantes conquistou reconhecimento e se consolidou como um dos maiores clássicos da literatura mundial.

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E você, o que achou dessa escalação de elenco? Acha que a beleza de Hollywood combina com o sombrio mundo de Heathcliff ou prefere as versões mais clássicas?

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