Vai Anitta: cantora revela bastidores de sua carreira em série da Netflix

Vai Anitta estreia na Netflix em 16 de novembro de 2018, e a cantora chegou ao serviço de streaming numa posição que poucos artistas brasileiros ocuparam antes: como protagonista de uma produção original da plataforma, com distribuição global desde o primeiro dia.

A coletiva de imprensa realizada em São Paulo na segunda-feira (12) marcou a largada oficial da campanha de lançamento, com Anitta respondendo perguntas sobre o formato e os limites, ou a falta deles, do projeto.

Entre o reality e o documentário: o que Vai Anitta é (e o que recusa ser!)

A série tem seis episódios na primeira temporada e parte de uma premissa clara: mostrar a vida da artista sem filtro editorial. Anitta estudou especiais e documentários de cantoras internacionais antes das gravações e chegou a uma conclusão sobre o que não queria fazer, sem citar nomes. O objetivo era escapar tanto do registro promocional polido quanto do caos fabricado de um reality show convencional.

O resultado ficou em algum ponto entre os dois. O primeiro episódio acompanha as gravações de Is That for Me?, parceria com o DJ sueco Alesso lançada em 2017. A música foi parte da estratégia mais agressiva de Anitta para o mercado internacional, e a escolha de abrir a série com esse material não é acidental: é a cena que melhor resume onde a carreira estava naquele momento.

As filmagens aconteceram na Amazônia, e a presença de Alesso logo no episódio de abertura posiciona o documentário já dentro da narrativa de crossover que Anitta vinha construindo desde pelo menos 2016, quando começou a lançar faixas em espanhol e inglês de forma sistemática.

vai anitta 1 temporada netflix

Esporros, depressão e um ex-marido no frame

Anitta foi direta sobre a política de edição adotada: não houve veto e não houve corte. Brigas captadas pelas câmeras ficaram. O ex-marido Thiago Magalhães aparece na temporada porque, no período das gravações, o casamento ainda estava de pé. A separação aconteceu em setembro de 2018, depois que as filmagens já tinham encerrado. A decisão de não regravar ou omitir esse material transforma a primeira temporada em um registro involuntário do fim de um relacionamento, o que adiciona uma camada documental que roteiros não conseguem fabricar.

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Há também um intervalo forçado nas gravações que a própria Anitta explica: um período de depressão que durou entre três e quatro meses e paralisou a produção. Ela diz que a série ficou pronta mais tarde do que o previsto por causa disso, e que o episódio correspondente inclui um depoimento direto sobre o processo de recuperação. É o tipo de conteúdo que documentários de artistas raramente incluem sem suavizar, e a escolha de deixá-lo na íntegra é o ponto em que Vai Anitta mais se distancia do formato de relações públicas disfarçado de arte.

Anitta chega ao projeto depois de alguns anos em que a Netflix transformou sua operação em algo mais parecido com uma multinacional do entretenimento do que com uma carreira de cantora convencional. Em 2017, ela tinha escritórios em Miami, parcerias com labels internacionais e uma agenda de lançamentos segmentada por idioma e mercado. Uma série documental na Netflix era coerente com essa lógica: não apenas mostrar o que ela faz, mas distribuir essa imagem para os mercados que ela tentava alcançar.

Para o espectador, o dado mais concreto que Vai Anitta oferece é a chance de ver como esse projeto de internacionalização funcionava por dentro, nos bastidores de clipes, nas negociações captadas em câmera e nos momentos em que o plano claramente não estava funcionando. A cantora já adiantou que a segunda temporada vai aprofundar o tom, com promessa de mais intimidade e menos apresentação. A primeira temporada, segundo ela mesma, é o começo da conversa.

  • amanda negrini scaled Vai Anitta: cantora revela bastidores de sua carreira em série da Netflix

    Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

    Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.

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