Downton Abbey estreou na ITV britânica em setembro de 2010 e rapidamente se tornou um dos maiores fenômenos da televisão mundial na década seguinte. Criada por Julian Fellowes, roteirista que já havia vencido o Oscar por Gosford Park em 2002, a série acompanha a aristocrática família Crawley e seus empregados ao longo de seis temporadas, expondo o esnobismo, as maquinações e as fofocas de um sistema de classes em acelerado declínio. A narrativa se passa entre 1912 e 1926, período que cobre desde o naufrágio do Titanic até os primeiros sinais da modernidade corroendo as estruturas da Inglaterra eduardiana.
A produção foi desenvolvida pela Carnival Films em parceria com a NBC Universal e chegou ao mercado americano pelo PBS, onde quebrou recordes de audiência para uma série britânica importada. No auge, a quinta temporada atraiu cerca de 26 milhões de espectadores combinados nos Estados Unidos, somando transmissões ao vivo e reprises. No Reino Unido, os episódios chegaram a reunir mais de 10 milhões de pessoas por semana, um número expressivo para os padrões da televisão aberta britânica contemporânea.
Fellowes construiu a série com atenção obsessiva ao detalhe histórico, contratando consultores especializados em etiqueta e protocolo da era eduardiana. Cada figurino foi desenvolvido pela designer Anna Mary Scott Robbins, e a produção utilizou o Highclere Castle, em Hampshire, como locação principal para os exteriores e interiores do solar dos Crawley. O castelo real é propriedade do Conde de Carnarvon e se tornou atração turística de grande procura justamente por causa da série, recebendo dezenas de milhares de visitantes por ano durante o auge da popularidade do programa.
O elenco reuniu nomes consolidados da cena britânica, com Hugh Bonneville no papel do patriarca Robert Crawley, e Maggie Smith dominando praticamente cada cena em que aparecia como a Condessa Viúva Violet. Smith já era veterana de Hollywood, com dois Oscars no currículo, mas foi o papel em Downton Abbey que a reintroduziu para uma geração inteira de espectadores. A série também funcionou como trampolim para Michelle Dockery, que interpretou Lady Mary, e para Dan Stevens, que saiu do programa ao fim da terceira temporada para tentar a sorte em Hollywood, algo que gerou considerável controvérsia entre o público fiel.
A recepção crítica foi consistentemente positiva nas primeiras temporadas, com destaque para os elogios à escrita de Fellowes e à qualidade da produção. A série acumulou 15 Emmys ao longo de sua exibição, incluindo o de Melhor Minissérie ou Filme para TV em 2012, categoria na qual competia por ser exibida no formato condensado pelo PBS americano. Com o passar das temporadas, parte da crítica passou a apontar repetição de fórmulas e resolução fácil de conflitos, mas o público se manteve fiel até o encerramento em 2015.
O sucesso da série motivou a produção de dois filmes de continuação. O primeiro, lançado em 2019, arrecadou mais de 194 milhões de dólares nas bilheterias mundiais com orçamento modesto, confirmando o apetite do público pela franquia. O segundo filme, Uma Nova Era, chegou aos cinemas em 2022 com desempenho mais modesto, próximo de 55 milhões de dólares globais, mas ainda suficiente para manter conversas sobre possíveis continuações.



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