‘As Marvels’ não consegue salvar a Marvel de sua própria fórmula

Não é surpresa para ninguém que a Marvel vive de erros e acertos após o encerramento da saga dos Vingadores. O estúdio tem penado com bilheterias pouco rentáveis e com vilões pouco carismáticos, como Kang, o Conquistador. E a promessa de uma guerra multiversal está longe de agradar aos fãs tanto quanto a saga de Thanos.

Nesse contexto, As Marvels tem a difícil missão de trazer um frescor às telas do cinema. Nos bastidores, o projeto sofre com a baixa de investimento em publicidade do estúdio e com a perseguição dos haters à atriz Brie Larson, que interpreta a Capitã Marvel. E, sem nenhum motivo. Carol Danvers é uma das figuras mais icônicas do MCU. 

Na trama, Kamala Khan (Iman Vellani) é surpreendida ao trocar de lugar com a sua ídola. Descobrimos que os poderes milenares da garota estão conectados com os de Carol, e também com as novas habilidades adquiridas por Capitã Monica Rambeau (Teyonah Parris) após entrar no mundo criado pela Feiticeira Escarlate em WandaVision. Essa aliança promete ser extremamente poderosa.

Ao unir forças com Kamala Khan, Carol não apenas encontra uma aliada leal, mas também um símbolo de esperança para uma nova geração de heróis. A sinergia entre as protagonistas funciona perfeitamente, com bastante momentos cômicos para o público. A adição da família de Kamala, a Ms. Marvel (confira a série da jovem heroína no Disney+ antes de assistir ao longa-metragem), é outro acerto. Nada como uma conexão forte entre os personagens para dar mais veracidade ao enredo.

A trama é leve e não promete grandes aparições e desafios. É um filme despretensioso. E por isso, você pode gostar da nova versão de Nick Fury, bem diferente da que vimos em Invasão Secreta. Com a ameaça dos Skrulls resolvida, o ex-comandante da S.H.I.E.L.D. se volta para os problemas do universo, e retoma a sua relação de amizade com o gato alienígena Goose, outro ator (pet) que brilha no elenco.

Espere por referências aos Kree e à Inteligência Suprema, do primeiro filme da Capitã Marvel, aos Skrulls e ao seu novo planeta de refugiados e ao mistério que envolve o poderoso bracelete de Kamala.

O filme está longe de ser um acerto da Marvel e, ao que parece, vai ser mais um flop de bilheteria. A culpa, com certeza, não é do trio de protagonistas, e sim da narrativa confusa e repleta de conexões, que já tem cansado os fãs há anos. É absurdo que o estúdio “exija” que o telespectador assista a milhares de produções somente para entender o propósito geral do filme. É claro, um pouco de contexto é necessário. Mas as incansáveis conexões cansam, demasiadamente, o público. 

É bom saber que As Marvels não tem essa pretensão. Assim como nas séries, com exceção a Invasão Secreta, que mais prometeu do que entregou, a liberdade de fugir da fórmula do gênero dá aos roteiristas a capacidade de serem mais criativos. E esse não é o caso do sucesso de Loki? Da ruptura da “terceira parede” de Mulher-Hulk? Da ousadia de WandaVision? Precisamos de inovação e de menos promessas de grandes vilões que não se sustentam – nem na frente das câmeras, nem atrás delas.

Espere pelas cenas pós-créditos que abrem portas para dois times de heróis já conhecidos das HQs. Um deles, nós já comentamos aqui: os planos da Marvel de formar a equipe dos Jovens Vingadores, com Kamala no comando. É uma grande oportunidade para conversar com as novas gerações, e Kate Bishop já provou em Gavião Arqueiro que a aposta pode dar certo. 

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A partir da esquerda Monica Rambeau, Carol Danvers e Kamala Khan

No mais, sem dar spoilers, a segunda cena de As Marvels confirma os rumores de que o estúdio vai trazer de volta um grupo conhecido de heróis dos quadrinhos, precursores nas adaptações cinematográficas. Mas como? Da forma que muitos imaginavam, por meio do multiverso.

Quem é quem em As Marvels

Capitã Marvel (Carol Danvers): também conhecida como Carol Danvers, é uma super-heroína da Marvel que ganhou seus poderes devido a uma fusão de seu DNA com o de um alienígena Kree. Ela é conhecida por sua força sobre-humana, voo e habilidades de energia. A Capitã Marvel é interpretada por Brie Larson nos filmes da Marvel.

Kamala Khan (Ms. Marvel): Kamala Khan é uma super-heroína adolescente da Marvel que possui a habilidade de esticar seu corpo e alterar sua forma. Ela é uma personagem diversa e representativa, sendo a primeira heroína muçulmana da Marvel. A atriz Iman Vellani interpreta Kamala Khan na série Ms. Marvel.

Capitã Monica Rambeau: Monica Rambeau é uma personagem da Marvel que possui a capacidade de se transformar em energia e manipular diferentes formas de energia, como luz e eletricidade. Ela é uma importante personagem coadjuvante no universo Marvel e apareceu em diversas histórias, incluindo WandaVision. A atriz Teyonah Parris interpreta a Capitã Monica Rambeau nos filmes da Marvel.

Goose: é o gato da Capitã Marvel, um personagem felino que apareceu no filme Capitã Marvel. O gato revelou-se ter uma natureza alienígena e desempenhou um papel cômico na trama do filme. Goose foi interpretado por vários gatos e seu envolvimento nas filmagens envolveu o uso de dublês de gato devido a considerações de segurança.

A estreia de As Marvels está marcada para 9 de novembro nos cinemas.

  • julia benvenuto foto 'As Marvels' não consegue salvar a Marvel de sua própria fórmula

    Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

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