Sidney J. Munsinger é um senhor que possui uma vida pacata nos subúrbios de Nova York. Casado há muitos anos com Kay, ele tem como prioridade aproveitar sua metódica e conservadora vida. Sua situação muda quando uma jovem revolucionária, chamada Lennie Dale (Cyrus), decide se esconder em sua casa.
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Em Crisis in Six Scenes, a premissa de Allen é retratar uma parcela da sociedade americana que foi passiva diante das mudanças culturais, sociais e econômicas da década de 1960. Sid até se preocupa com os jovens morrendo no Vietnã, porém ele tem pavor de situações que possam afetar seu confortável cotidiano. Afina de contas, como um bom burguês Sid trabalhou muito para desfrutar de eletrodomésticos de última geração.
Lennie (Miley Cyrus) e Sid (Woody Allen)Por outro lado, Lennie personifica o jovem que buscou transformar seus conceitos diante de uma sociedade pacata e consumista. Com grande afinco, ela acredita que pode fazer a diferença, arriscando a sua vida ao roubar bancos ou fugir para Cuba para auxiliar o governo de Fidel Castro. Os diálogos entre Lennie e Sid, além de serem hilários, mostram um confronto de gerações, em que a parte conservadora não consegue entender como sua vida se tornou medíocre.
Outro ponto interessante é analisar a evolução de Alan na trama. O jovem tradicionalista se vê seduzido pelas falas rebeldes de Lennie e percebe o quanto sua vida poderia ter mais significado. Seu arco narrativo demonstra o idealismo em que a classe média é seduzida para morar em um país comunista, ou idolatrar Che Guevara, mesmo não entendendo os seus ideais. O ápice desta constatação acontece quando as senhoras do clube de livros de Kay recitam as frases de Mao Tsé-Tung como autoajuda.
Crisis in Six Scenes: veja prévia da série de Woody Allen
No desfecho, Sid ajuda a jovem a fugir e retorna para seu tranquilo cotidiano ao lado de Kay. Alan herda a milionária empresa capitalista de seu pai, mas promete ajudar os mais necessitados com doações. De certa maneira, Lennie acaba modificando a visão de todos os personagens, mesmo que eles não tenham tido nenhuma ação drástica no desenrolar da trama. Resta saber se a persistência da jovem sobreviveu diante de uma realidade muito menos idealizada.
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Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".
Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.