Demolidor investe em versão sombria dos HQs
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Demolidor investe em versão sombria dos HQs

Por 12 de maio de 2015 fevereiro 16th, 2017 Sem Comentários
Daredevil é renovada para segunda temporada

 

spoilerPara quem presencia o sucesso das produções da Marvel, no cinema e na TV, pouco desconfia que a empresa quase fechou as portas no início de sua jornada.

Foi somente na década de 1940, com as novas história de Stan Lee, que o grupo de HQs conseguiu conquistar uma legião de fãs de super-heróis. Inspirado na Liga da Justiça, uma das publicacões de sucesso da DC Comics na época, Lee criou a sua primeira grande empreitada, o Quarteto Fantástico, que acabaria se transformando na salvação da jovem Marvel. Com o sucesso, outros personagens surgiram pela criatividade do cartunista: Capitão América, Homem-Aranha, O Incrível Hulk, Thor, Homem de Ferro, Doutor Estranho e mais tarde X- Men.

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Donos de um imenso carisma, os super-heróis de Lee encontraram as suas prórias motivações para lutar contra as injustiças do mundo. Diferente da DC, em que a perda trágica dos pais é o fator culminante para a decisão (tome como exemplo Batman, Arrow, The Flash, Super-Homem, entre outros), estes personagens enfrentaram decepções amorosas, guerras mitológicas e mundiais para se tornarem quem realmente são.

Mesmo sendo uma das obras tardias a completar a coleção do “Universo Marvel”, Demolidor não foge desta regra. Matt Murdock (Charlie Cox) é um advogado cego, mas que possui o dom dos supersentidos. Horrorizado com a violência e a impunidade que rodeia o seu bairro natal, o Hell’s Kitchen, o protagonista decide fazer justiça com as próprias mãos.

Com o advento das produções milionárias da empresa, a interpretação da Netflix da saga de Murdock não poderia ser mais condizente. Primeiro ponto positivo: ela foge do estigma criado por Ben Affleck, que viveu o personagem no último longa-metragem, e casou opiniões rancorasas entre os seguidores dos quadrinhos. O segundo trunfo está na capacidade do roteiro de transportar os acontecimentos do primeiro filme de Vingadores ao universo obscuro e violento do herói.

Demolidor

Vincent D’Onofrio vive o impiedoso Rei do Crime em Demolidor

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Cabeças decapitadas, suturas e ferimentos expostos, sequestros de crianças, tráfico de pessoas e um vilão digno de dar pesadelos (O Rei do Crime, papel de Vincent D’Onofrio). Esta é a realidade – e a principal caraterística – de Demolidor. É claro que, ao olhos do espectador da TV, tais cortes de cenas e a fotografia escura não funcionam. E, por isso, a escolha de elaborar a história no canal on-demand é tão vitoriosa. Agents of S.H.I.E.L.D. e Agent Carter, outras duas séries da Marvel em exibição, fogem completamente do estilo sangrento. Pelo contrário, ambas apoiam-se nos crossovers recorrentes com os filmes lançados a cada ano pela empresa e no “humor cativante” de seus personagens.

A Netflix estreia em breve mais séries do gênero: Jessica Jones, Punho de Ferro e Luke Cage. Demolidor também garantiu uma segunda temporada, provando que ainda há espaço para novas intepretações dentro do império da Marvel. Ainda bem.

Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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