Crítica: segunda temporada de House of Cards
CríticaHouse of Cards

House of Cards retrata crueldades da política americana

Por 26 de fevereiro de 2014 abril 26th, 2016 Sem Comentários
House of Cards retrata crueldades da política americana 2

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A segunda temporada de House of Cards foi muito aguardada pelos fãs da série. Até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, publicou em seu Twitter que estava ansioso com os novos episódios da atração. Descobrir quais seriam as novas crueldades e estratégias do vice-presidente Frank Underwood (Kevin Spacey) para conquistar o poder supremo foi, novamente, um verdadeiro deleite.

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Com inteligência e perspicácia, o protagonista continuou trilhando o caminho de vingança contra os seus companheiros do partido democrata. Para quem não se lembra, Frank ajudou a eleger um presidente que lhe prometeu um cargo de Secretário de Estado. Dias após a posse, o líder do país entregou a posição para outro membro de confiança.

O poder da manipulação de House of Cards

Entretanto, Frank Underwood não é o tipo de homem que está acostumado a receber uma reposta negativa. Quando algo não sai como o planejado, ele simplesmente traça um plano determinado, com intrigas e trapaças, para o seu próprio beneficio. Na primeira temporada, ele conseguiu a vice-presidência. No segundo ano, derrubou, de forma maquiavélica, todos aqueles que tentaram impedir a sua ascensão. E sim, ele venceu mais uma vez. Frank terminou o episódio final ocupando a posição política mais cobiçada do mundo: a presidência americana.

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O caminho para essa conquista não foi fácil. Grande parte do sucesso de House of Cards está na audácia de seu roteiro. A trama, assim como seu protagonista, é fria e destemida, e não poupa nenhum personagem da morte ou do desaparecimento. Quem achou que Zoe Barnes (Kate Mara) teria um futuro brilhante como jornalista, ainda não compreendeu que o mal, neste seriado, não só é vencedor, mas é um bem extremamente necessário para a sua sobrevivência.

 

Zoe Barnes (Kate Mara): personagem foi o primeiro alvo da crueldade de Frank Underwood (Kevin Space).

Zoe Barnes (Kate Mara): jornalista foi o primeiro alvo de Frank Underwood (Kevin Spacey).

Frank não desperdiçou mais de um capítulo com Barnes e, sem nenhuma hesitação, a jogou em um trilho do metrô. Foi um ritual de iniciação da segunda temporada muito bem executado. Como ele mesmo definiu: “Para quem está subindo no topo da cadeia alimentar, não pode haver misericórdia. Só existe uma regra: cace ou seja caçado.”

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Um homem como Frank Underwood precisa ter uma esposa compatível com as suas ambições. Claire, consegue ser ainda mais calculista e, com muita classe e fala pausada, mostra-se ainda mais cruel que o marido. A atriz Robin Wright, que foi premiada pelo papel com um Globo de Ouro neste ano, conseguiu  com brilhantismo interpretar a mulher que serve como base de segurança para um político tão maléfico.

Assim como a figura de um general, Claire incentiva, cobra e ameaça o marido para que ele seja capaz de realizar seus próprios sonhos. Mais do que isso: o casal consegue ter uma extrema cumplicidade, mostrando as nuances de uma relação completamente sincera. Frank só consegue amar Claire incondicionalmente, porque ela é capaz de expressar, os seus desejos mais sórdidos. E com grande ironia, Frank confessa ao telespectador: “Eu não sei se sinto orgulho ou medo da Claire.”

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Ao mesmo tempo que a proposta da Netflix, de disponibilizar os treze episódios na integra, é extremamente tentadora, os fãs da atração deverão esperar mais um ano para assistir as novas manipulações políticas de Underwood na presidência. E não pense que o presidente Obama irá escapar de uma análise sobre o mandato do nosso irônico protagonista. Grande parte da fama de House of Cards deve-se ao fato dos telespectadores acreditarem que em Washington a ficção é um mero espelho da realidade.

 

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Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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