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La Casa de Papel: quarta temporada apresenta roteiro corajoso e enaltece fenômeno da série

Por 6 de abril de 2020 abril 18th, 2020 Sem Comentários
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Talvez La Casa de Papel tenha a trajetória mais surpreendente quando se fala sobre séries de TV. O programa foi exibido por uma televisão espanhola, cancelado na segunda temporada e foi colocado timidamente no catálogo da Netflix. Em menos de dois anos, se transformou em um dos mais maiores fenômenos da cultura pop mundial, sendo uma das atrações mais acessadas da plataforma.

Estrategicamente, a Netflix decidiu dar continuação ao seriado anunciando duas novas partes. Apesar da terceira temporada ter sido feita mais para agradar os fãs e reavivar os personagens, a quarta temporada – disponibilizada nesta sexta-feira (3) – mostrou que a série merece todo o sucesso conquistado.

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A verdade é que a continuação de La Casa de Papel precisou de um roteiro plausível e elaborar um roubo mais complexo no Banco da Espanha tomou o espaço de diversos episódios. Porém, a nova fase já começou com um grande caos instaurado: a sobrevivência de Nairóbi (Alba Flores).

Os roteiristas mostraram uma sagacidade ao deixá-la viva no início, reafirmando que o grupo era capaz de qualquer coisa para salvar um de seus membros. A grande questão instaurada era que a morte de uma personagem querida seria fundamental para dar um gás na trama, entretanto poderia não agradar o público. Qual seria a decisão mais sensata a tomar? O seriado foi corajoso ao dizer adeus ao seu símbolo feminista, no sexto episódio, com um tiro na cabeça. Era necessário mostrar que durante um roubo milionário há perdas graves!

Entretanto, o publico também foi agraciado com belíssimas cenas de Nairóbi com um discurso evidenciando a sua personalidade única, um romance com Bogotá e sua vontade de ser mãe novamente.

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Nairóbi (Alba Flores) deixa a série com morte inesperada pelo público

Outro ponto a favor do sucesso do programa foi jogo de inversão de valores. Os roteiristas construíram vilões impiedosos e desumanos para que os protagonistas se transformassem ainda mais em heróis da Resistência. A inspetora Sierra é repugnante mesmo representandoo papel da Justiça. Alias, há de se fazer uma merecida observação à excelente atuação de Najwa Nimri, que elevou o programa a outro patamar. Gandía, que deveria ser visto como um salvador dos reféns, é um justiceiro frio e calculista que foi responsável pela Nairóbi. Com isso, todos os amados ladrões tem um salvo conduto para merecer a torcida da audiência.

O papel de Berlim também passou a ser mais carismático e fanfarrão. Vimos ele se rendendo ao amor, cantando em seu casamento e dando conselhos sobre felicidade ao Professor (Álvaro Morte). A única exceção – que ainda mostra requisitos de sua inescrupulosa conduta – foi a cena do banheiro sobre o bullying de sua gravata borboleta. A participação de Pedro Alonso continuou sendo fundamental como eixo da narrativa por conta de brilhante interpretação. Prova disso é a emocionante cena em que coloca um ponto final em sua relação com Palermo.

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Ser adquirada pela Netflix trouxe vantagens à atração, que agora tem ares hollywodianos. Ao mesmo tempo, a plataforma tenta tirar ao máximo proveito do fenômeno de La Casa de Papel. Talvez por saber que não caiba um novo assalto na trama, o streaming decidiu deixar a conclusão do roubo ao Banco da Espanha para uma nova temporada.

Afinal de contas, todos os fãs ao redor do mundo querem saber como os protagonistas sairão do local, o que eles farão com Gandía e como eles irão honrar o nome de Nairóbi. O cheque mate de Sierra está muito longe do fim!

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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