Crítica temporada final de Mad Men
Crítica

Mad Men: série encerra sua saga de forma extraordinária

Por 24 de junho de 2015 abril 21st, 2016 Sem Comentários
Don é homenageado em episódio inédito de Mad Men

 

spoilerPara aqueles que torciam para a felicidade de Don Draper (Jon Hamm), o desfecho de Mad Men foi um verdadeiro deleite. Após sete temporadas de uma grande evolução pessoal, era de se esperar que um protagonista tão contraditório recebesse algum tipo de punição. Talvez ela não tenha sido tão drástica, com a morte ou uma doença incurável, mas Don teve uma satisfatória lição de autoconhecimento.

PaleyFest: elenco fala sobre temporada final de Mad Men

Em entrevistas concedidas semanas antes do último episódio, o criador da série, Matthew Weiner, afirmou que optou por um final simples e de profunda reflexão. Mais do que um seriado de televisão, Mad Men conseguiu um patamar de um excelente retrato de uma década da história americana. Por isso, o destino dos personagens foi escolhido de forma tão cuidadosa.

Mad Men: último ano estreia com grandes conquistas

Mad Men

Joan Harris (Christina Hendricks) e Peggy Olson (Elisabeth Moss)

Após longos de anos decepcionando as pessoas ao seu redor, Don teve a nítida percepção de que ele não se fazia mais necessário em sua família. Não importava quanto amor ou culpa ele sentisse. Betty (January Jones) não quis encontrar o ex-marido, após descobrir um câncer terminal, e Sally mostrou que aprendeu a jamais depender do pai novamente. Com personalidade forte e determinação, ela mostrou uma força interior para apoiar a mãe e cuidar de seus irmãos.

Sobre as mulheres que lideraram o feminismo na série, nada mais do que gratificante ao ver Joan Harris (Christina Hendricks) comandando seu próprio negócio e tendo uma autonomia devastadora. Pena que Peggy Olson (Elisabeth Moss) não tenha tido coragem suficiente para ser sua sócia. A protagonista merecia mais do que um final de contos de fadas romântico.

O que também contou a favor de Mad Men foi a linearidade em que a atração foi finalizada. Não houve grandes rompantes ou arrependimentos morais. Roger continuou desfrutando da vida, com sexo, drogas e mulheres bonitas.

Mad Men: criador afirma que não haverá spin-off

Assim como um bom retrato da realidade, muitas pessoas não precisam de grandes feitos para pagarem seus pecados ou desejarem absolvições. Pelo contrário, há uma sensação de liberdade admirável ao observar que os personagens não tenham sido castigados. Eles apenas entraram na década de 1970 refletindo sobre seus fracassos e glórias, na expectativa de serem bem-sucedidos e viverem um novo sonho americano.

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

Sem Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do POP SÉRIES. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O POP SÉRIES poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.