Crítica: primeira temporada de Masters of Sex
Crítica

Masters of Sex: o excelente orgasmo da televisão americana

Por 23 de dezembro de 2013 maio 4th, 2016 2 Comentários
Masters of Sex: o excelente orgasmo da televisão americana 2

Sexo é um dos temas mais vendáveis do mundo. No entretenimento, utilizar a sexualidade é um pré-requisito para o sucesso. Na cultura americana, o tema é quase obrigatório. Qualquer bom filme de Hollywood contém cenas sensuais de prazer. Na televisão, isso não é diferente. Muitas emissoras apostaram em seriados com apelos sexuais e atrizes deslumbrantes seminuas para alavancar a audiência. Em meio a esse cenário e com um tom inovador, o canal Showtime optou por contar a trajetória da descoberta acadêmica da sexualidade e transformou Masters of Sex na melhor estreia televisiva de 2013.

Masters of Sex acompanha estudos da revolução sexual

Baseado em uma história real, o seriado mostra os estudos do Dr. William Masters (Michael Sheen) e sua assistente Virginia Johnson (Lizzy Caplan) em torno da ciência do sexo, na década de 1950, na Universidade de Washington, em Missouri. Com ideias bastante avançadas para época, eles procuraram responder uma simples questão: o que acontece com o corpo humano durante o sexo? A atração alcançou uma audiência significativa (mais de 5,4 milhões de pessoas semanalmente) e já foi renovada para a segunda temporada. Além disso, conseguiu um grande conquista: falar sobre sexo sem precisar utilizar cenas apelativas ou termos pejorativos.

A relação entre os protagonistas é solida, sensata e mostra diversas nuances sobre o comportamento humano. Ao mesmo tempo que Masters é obcecado por desvendar os mistérios da sexualidade, ele enfrenta grandes dilemas para tentar entender seus próprios hábitos. Por isso, Virginia se torna a grande responsável por guiá-lo durante esta descoberta. Ela é uma mulher divorciada, independente e bem resolvida sexualmente. Diferente das donas de casa da década do período, a personagem é essencial para contribuir em um estudo tão transgressor.

Masters of Sex reproduz como os seres humanos lidavam com temas comportamentais ligados à sexualidade e aponta os grandes avanços feitos em apenas 60 anos. A atração lida, sem nenhum constrangimento, com problemas polêmicos para a época como machismo, infertilidade e orgasmo feminino.

 

Barton Scully (Beau Bridges) e Dale (Finn Wittrock): casal mostra os preconceitos sofridos por homossexuais na década de 1950.

Barton Scully (Beau Bridges) e Dale (Finn Wittrock): casal mostra os preconceitos sofridos por homossexuais na década de 1950.

Outra parte significativa é abordar os preconceitos em torno da homossexualidade. O arco que envolve o reitor da universidade, Barton Scully (Beau Bridges), mostra como o personagem enfrenta os seus desejos mais repudiados pela sociedade, ao possuir  uma vida afetiva com um garoto de programa. Casado por 30 anos, ele tenta encontrar a cura para o seu “problema” tomando remédios que causam repulsa por homens e até mesmo buscando um tratamento com eletrochoques. É interessante observar que sua esposa ao mesmo tempo que tenta compreendê-lo com um afeto maternal, procura um caso extraconjugal para encontrar seus prazeres sexuais.

Na vida real, os estudos da dupla durou três décadas e influenciou, inclusive, a vida pessoal de Masters e Johnson. Isso significa que o público poderá acompanhar muitos estágios dessa pesquisa nas próximas temporadas e esperará por um resultado extremamente delicioso e satisfatório. Assim como um bom orgasmo.

 

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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