Mozart in the Jungle: crítica da 1ª temporada
Crítica

Mozart in the Jungle: série apresenta trama morna e personagens fracos

Por 15 de fevereiro de 2015 abril 22nd, 2016 2 Comentários
Mozart in the Jungle: Gael García Bernal protagoniza série da Amazon

 

spoilerO seriado Mozart in the Jungle foi uma das apostas da Amazon no gênero comédia romântica. Para chamar atenção do público, os produtores escalaram Gael García Bernal, famoso ator mexicano que já conquistou bons papéis no cinema e interpretou Che Guevara em Diários de Motocicleta (2004).

Veja trailer promocional da série  

Baseado no livro homônimo de Blair Tindall, a atração mostra o cotidiano dos músicos da Orquestra Filarmônica de Nova York, após a troca de seu maestro. As histórias exibidas são baseadas em fatos reais, após a autora trabalhar como oboísta e relatar os bastidores da profissão.

Bernal atua como Rodrigo de Souza, um gênio da música clássica que assume a liderança da batuta e promete tremendas inovações em uma grande apresentação. Ao mesmo tempo, o espectador acompanha a luta de Hailey Rutledge (Lola Kirke) para conseguir realizar o sonho de se estabelecer como musicista de sucesso, tocando oboé.

Criada por Roman Coppola, a primeira temporada da série apresentou inspirações em séries juvenis exibidas nos últimos anos, como Glee e Smash. Repleta de cenas previsíveis e diálogos considerados clichês, o programa se tornou apenas mais uma opção para quem deseja passar um tempo assistindo à um romance água com açúcar.

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Mozart in the Jungle

Casal inexpressivo: Hailey Rutledge (Lola Kirke) e Rodrigo de Souza (Gael García Bernal)

É possível perceber o talento de Bernal em algumas belas cenas, como a da regência ao ar livre no bairro do Brooklyn. Entretanto, a tentativa de transformar o personagem em uma sátira de gênio mal compreendido acabou resultando na exibição de um protagonista egocêntrico que não desperta risos de sua audiência.

A grande exceção do primeiro ano é o episódio You Go to My Head, que mostra os protagonistas em uma grande festa para arrecadar fundos para a orquestra. Com certo ar de mistério, o capítulo acompanha uma noite reflexiva em que Rodrigo tenta voltar as suas origens como músico e Hailey consegue ampliar sua visão de mundo conhecendo novos ambientes sociais.

A construção dos personagens coadjuvantes também esbarra em estereótipos comuns aos olhos do público. Há o maestro que não aceita a aposentadoria, a professora que usa métodos ditadores para intimidar seus alunos e o mocinho que busca a fama enquanto trabalha como garçom.

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Para um escritor que possui os genes da família Copolla, falta mais criatividade e desprendimento. Que Roman consiga exercitar sua boa herança de família na próxima temporada, caso a atração seja renovada.

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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