Crítica House of Cards
CríticaHouse of Cards

O poder da manipulação de House of Cards

Por 14 de outubro de 2013 abril 26th, 2016 Sem Comentários

Praticar qualquer tipo de crueldade contra animais, na maioria dos lugares do mundo, é considerado um crime, além do ato despertar repúdio em qualquer ser humano. O deputado americano Francis Underwood (Kevin Spacey) não compartilha do mesmo pensamento. Nos primeiros instantes de sua aparição em House of Cards, ele  sufoca o cachorro do vizinho, que foi atropelado e está em estado grave.

A cena, define completamente a construção do personagem que foi, com razão, prestigiado pela crítica e pelo público. “Há dois tipos de dor: a dor que o torna mais forte e a dor inútil, que se reduz ao sofrimento. Eu não tenho paciência com inutilidade”. Francis Underwood não é apenas um homem frio, calculista ou destemido. Ele é inescrupuloso e não mede esforços para alcançar o poder político, mesmo que isso signifique trair aliados, desrespeitar sua esposa ou cometer crimes impiedosos.

Jodie Foster dirige episódio de House of Cards

Inspirado em uma série britânica homônima da década de 1990, o seriado mostra uma narrativa envolvente e com uma grande surpresa: durante os treze episódios, Francis conversa com telespectador contando todos os seus pensamento sórdidos e estratégias de manipulação. O público consegue entender e captar as diversas facetas de sua índole e de sua persistência em busca do poder. O contato direto com o público possibilita uma sensação de ansiedade em saber se ele conseguirá alcançar o seu objetivo. Os olhares inquisidores para câmera também despertam sentimentos de ironia e questionamento como: “Eu não disse que a humanidade está perdida”, ou “Você no meu lugar faria exatamente a mesma coisa”.

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Francis (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright)

Francis (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright)

Os demais personagens da trama também possuem características muito próprias e apresentam densidade e ambiguidade de comportamentos. Zoe Barnes (Kate Mara) mostra-se uma jornalista capaz de tudo pelo furo de reportagem, desde corromper a ética do seu trabalho, até inverter o jogo em uma caçada contra o deputado. Claire Underwood (Robin Wright), a esposa de Francis, apresenta-se como a alma gêmea do protagonista. Uma mulher rígida e intransigente que consegue entender todas as atitudes do marido, entretanto termina a primeira temporada enfrentando uma crise de meia idade e questionando a sua negação pela maternidade.

O Netflix foi responsável pelo grande trunfo de House of Cards. Além ser a primeira produção própria do canal on demand, a série foi muito bem elaborada, desde a contratação de diretores prestigiados como David Fincher (Clube da Luta e a Rede Social), Joel Schumacher e Charles McDougall até a escolha de Kevin Spacey para o papel principal do programa. No próximo ano da atração, Francis assumirá a vice-presidência dos EUA. Se aquele famoso ditado “Quer conhecer um homem? Dê poder a ele”, for verdadeiro, o público assistirá de camarote a sua capacidade de superação em relação ao poder supremo e a destruição de todos os seus inimigos.

 

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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