Crítica primeira temporada de OITNB
Crítica

Orange is the New Black retrata sobrevivência de mulheres fascinantes

Por 14 de agosto de 2013 abril 26th, 2016 2 Comentários
Orange is the New Black retrata sobrevivência de mulheres fascinantes 1

O homem é um animal racional que quando acuado ou ameaçado é capaz de demonstrar os mais diversos instintos. O ser humano também é conhecido por se adaptar as realidades impostas pela vida. No seriado, Orange is the New Black, Piper Chapman (Taylor Schilling), é uma mulher branca, loira e rica que vende loções de banho artesanais. Ela foi condenada por quinze meses de prisão por carregar uma mala de dinheiro ligada ao tráfego de drogas. Piper cometeu o crime para ajudar sua ex-namorada Alex Vause (Laura Prepon), que comandava negócios ilícitos na época.

Orange is the New Black traz drama da vida real à TV

O seriado, baseado na vida e no livro homônimo de Piper Kerman, mostra como uma mulher de classe média alta precisou vivenciar o cotidiano da prisão vestindo um uniforme laranja. Assim como na música de abertura da série, You’ve Got Time, de Regina Spektor, a protagonista compreendeu que ficar encarcerada não era somente uma punição, e sim uma experiência única de autoconhecimento.

Assista ao trailer de Orange is the New Black

Com ingenuidade e pouca desenvoltura, Piper ficou dias sem comer por reclamar da qualidade da comida, enfrentou o isolamento da solitária e teve que lidar com muitos contratempos envolvendo até uma fanática religiosa. Orange is the New Black não é uma atração fascinante apenas pelo realismo exibido ou pelas diferenças sociais impostas na prisão. O grande trunfo da série são as demais detentas que convivem com Piper. No programa, não há espaço para coadjuvantes frágeis. Todas são mulheres reais e possuem qualidades e defeitos.

 

 

Orange

Orange is the New Black apresenta personagens reais que possuem qualidades e defeitos.

 

Inicialmente, o telespectador pode até achar que as personagens são dotadas de características consideradas clichês na televisão americana. Existe a freira criminosa, a russa mafiosa, a transexual cabeleireira, a lésbica masculina e um grupo de negras que vivem nas periferias das grandes cidades. Entretanto, o passado dessas prisioneiras, que são revelados através de flashbacks, mostram o tormento de suas escolhas e quais as circunstâncias que as levaram até a prisão de Litchfield.

Até mesmo o nome da série –  Orange is the New Black – apresenta uma oportuna reflexão. A explicação mais básica é que a cor laranja, do uniforme, é o novo “pretinho básico” imposto para uma mulher bem nascida como Piper. Outra consideração pode ser feita para mostrar um pouco da segregação que ainda existe no EUA. A prisioneira utiliza o uniforme chamativo para indicar que ela é novata e diferente das demais. Em um seriado em que mulheres negras são muito representadas, o trocadilho funciona como uma boa crítica social.

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A primeira temporada da série mostrou que a prisão será o maior aprendizado da vida de Piper. Longe do noivo e afastada de toda segurança emocional de sua família, a protagonista viveu na mais absoluta solidão. A protagonista percebeu que, pela primeira vez, seria responsável por todas as atitudes e consequências de suas escolhas. Esta foi sua constatação mais reveladora, como ela mesmo afirmou: “As outras pessoas não são o pior da cadeia. A parte mais assustadora é encarar quem você realmente é.”

Orange is the New Black reserva grandes surpresas paras os próximos capítulos, principalmente, ao passo que Piper se liberta de seus verdadeiros instintos de sobrevivência, com muito realismo e com um boa dose de humor sarcástico.

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Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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