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Paciente 63: viagem no tempo é tema de áudio série com Seu Jorge e Mel Lisboa

Por 22 de julho de 2021 julho 27th, 2021 Sem Comentários
paciente 63

Programa é uma produção do Spotify

Paciente 63 é a nova aposta para o formato de áudio série que estreia em 22 de julho.

O roteiro é assinado por chileno Julio Rojas e conta a história da psiquiatra Elisa Amaral (Mel Lisboa), no ano de 2022, que é surpreendida por um paciente (papel de Seu Jorge) misterioso que diz ter vindo do futuro. O tal homem tem um relato convincente sobre a sua viagem no tempo, com uma tragédia eminente devido à chegada de um vírus fatal – muito parecido com a trama de os 12 Macacos, certo?

Ao passar das sessões, os personagens passam a desenvolver um vínculo e Elisa começa a se questionar sobre a veracidade do relato.

O Pop Séries! conversou com os atores sobre o que esperar da atração:

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Confira:

POP SÉRIES – Quais são os desafios para explorar o formato de áudio série, algo muito parecido com as telenovelas que existiam no rádio antigamente?

MEL LISBOA – Muitas coisas que envolvem este formato. Desde questões desafiadoras, técnicas, para você fazer a áudio série como ator, de você fazer apenas com a voz sem nenhum recurso de expressão, de corpo e de gesto. O resgate, de certa forma, de um tipo de conteúdo que já foi muito consumido no país. Então, assim, um resgate num formato um pouco diferente e com todo aparato tecnológico que faz com que haja esta imersão maior. Eu faço uma analogia com o teatro, quando você ensaia uma peça e de repente entra luz. A luz ela dá forma, dá contorno, ela faz com que a coisa saia do bidimensional. Outra coisa fundamental é participação do ouvinte. Porque é preciso que você exercite a sua imaginação.

* Vocês acreditam que o formato funcionaria hoje no rádio aberto?

SEU JORGE – Eu particularmente acho interessante se você entende que hoje a própria rádio já é digital. Quando a gente fala de rádio novela a gente fala de um modelo da hora, ele ficava preparado momentos antes de entrar no ar, e entrava ao vivo. Temos grandes representantes desta era, como Lima Duarte e Arlete Montenegro. E era na época, no Brasil, o único entretenimento. Eu acho possível que a rádio, como diz a própria série, é o último recurso que existe depois de tudo que se perde. (…) Agora eu acredito muito na força desta da áudio série, nas possibilidades e os avanços que tem na área do áudio e que também podem proporcionar para as tramas, para as ficções, para a dramaturgia de uma forma geral.

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* Como vocês trabalharam o processo de criação dos personagens?

SJ – Já estava estabelecido. E tinha uma coisa engraçada que eu falava justamente por conta da questão da imagem …. eu falava toda a vez que eu abrir a boca as pessoas vão imaginar a minha cara. E esse cara é moreno. Eu achava estranho porque elas não iam ver, mas iam saber que eu não era moreno. E aí eu “botei essa pira” que ele era negro. E aí começa a ficar interessante. E aí começa embaralhar tudo porque eu achei que nessa hora a gente falava de Brasil. Da miscigenação e desse cara negro, brasileiro, com outra voz.

ML – Essa é uma tradução do castelhano. No original, o Pedro Roiter é mexicano. E eles questionam: “Você não tem sotaque de mexicano”. E aí é muito interessante esta questão da adaptação, isso é um tema que lido muito na faculdade. Porque como é que você vai colocar no Brasil uma coisa semelhante a um sotaque de uma língua, no nosso caso poderia qualquer país que falasse português, mas o Brasil é tão grande, com uma variação de sotaques …  O Gustavo [Kurlat] foi muito feliz nesta adaptação, eu acho, de não colocar o Paciente de 63 como um estrangeiro, mas no próprio país tem essa dissonância de sotaques que causa estranheza.

* Queria saber sobre referências. A trama me lembrou muito os 12 Macacos, tem um episódio sobre a dinâmica de viajar no tempo, que vocês falam do Delorean. Como vocês entraram neste mundo no processo de inspiração?

SJ – Eu li praticamente o roteiro e os episódios. Também vi a original e fique fascinado. E fiquei inclinado a não estragar este trabalho, porque ele é redondo. (…) Eu, pessoalmente, fiquei voltado com o trabalho de dentro do estúdio, que foi na prática mesmo, e que fui entendo o personagem. A história está muito próxima da gente, do que estamos vivendo. Já que falamos de passado, todos nós queremos saber como vai ficar o amanhã, porque está tudo incerto hoje. Fico muito ligado na mensagem do personagem quando ele fala: “É preciso cuidar agora, resolver esse problema para que na frente não fique ruim.”

* Você acham que gostariam de receber uma pergunta inusitada, como a série propõe, ou gostariam de viver na ignorância dos fatos?

ML – A gente, muitas vezes, evita olhar para realidade porque ela é dura e a gente não quer ver. É melhor ficar na ignorância, porque eu estou confortável, na minha zona de conforto. Encarar a realidade, vou de frente, e me abro para isso, eu saio da minha zonada conforto. Acho isso um movimento bastante natural do ser humano, a gente faz isso às vezes sem nem perceber. (…) Quando o Paciente 53 fala isso para Doutora Elisa: “Você não tá fazendo perguntas certas”. Ela insiste em fazer as perguntas que estão dentro da zona de conforto dela. Ela tem medo de ouvir o que ele vai dizer. E ela não quer, porque aquilo vai deixar ela vulnerável. Então é frustrante, porque você como ouvinte também quer que ela faça as perguntas certas. Mas você como humano entende.

* Em um momento de pandemia, vocês acham que os personagens ficaram mais reais do que a ficção?

ML – Há dois anos, em 2019, se alguém chegasse para gente falasse assim: “Olha, em 2020 vai acontecer uma pandemia. Vocês vão se isolar, as escolas vão fechar, tudo vai fechar, vocês vão andar de máscara, milhões de pessoas vão morrer no mundo …”. Você ia falar: “Imagina”.  É uma distopia. E cá estamos. Um dos grandes trunfos desta série é justamente tocar nesses pontos que estão sendo tão atuais. Ele trata de um futuro distópico, mas a gente tá vivendo uma distopia. E a série passa em 2022, que é um futuro muito próximo, mas ao mesmo tempo a gente não sabe o que vai ser em 2022. A gente não sabe se vai vai acabar pandemia ou vai surgir novas cepas, ou vamos ter novas vacinas. (…) A série toca nesses assuntos. E esse sentimento atinge em cheio muitas questões que estamos vivendo hoje.

Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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