Crítica: segunda temporada de Penny Dreadful
Crítica

Penny Dreadful: segunda temporada explora os limites da natureza humana

Por 16 de agosto de 2015 abril 21st, 2016 Sem Comentários
Penny Dreadful ganha segunda temporada 2

 

spoilerO que faz um homem se transformar em um monstro? E o que nos diferencia dos animais? A segunda temporada de Penny Dreadful buscou apresentar interpretações distintas para os limites entre os instintos primitivos e a inteligência humana em cada um de nós.

Com temática obscura e cenário datado em Londres na era vitoriana, características marcantes do seriado, a relação conturbada de Vanessa Ives (Eva Green) com um clã de bruxas foi o destaque do novo ano. A personagem, que foi criada por John Logan para o programa, enfrentou dilemas morais nos dez episódios da temporada: até onde comprometer a sua alma para salvar um ente querido? Matar é algo justificável? A felicidade ao lado de Ethan é possível, mesmo que ela provenha de um pacto com o diabo?

O mesmo sentimento foi compartilhado com o restante do elenco. Para reviver o antigo amor, o jovem doutor Victor Frankenstein (Harry Treadaway) se comprometeu mais uma vez com a sua polêmica invenção. A sua intenção era boa, mas o efeito da reversão da morte em Brona/Lily (Billie Piper) foi inesperado. A personagem iludiu conscientemente o seu criador, desprezou o seu semelhante e despertou os piores desejos de Dorian Gray (Reeve Carney), com quem agora compartilha a vida eterna.

Romance de Ethan e Vansessa não se concretizou na segunda temporada

Romance de Ethan e Vansessa não se concretizou na segunda temporada

Ethan (Josh Hartnett) também teve que enfrentar as consequências de seus atos. Após matar inúmeros inocentes em um bar, quando assumiu a sua forma de lobisomem, o personagem acabou tirando a vida de seu colega, Sembene. Por fim, a culpa o levou a se render a polícia local, que agora o deporta para os EUA, e abandonou qualquer possibilidade de felicidade ao lado de Vanessa.

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O mesmo destino infeliz foi compartilhado por John Clare que, depois de ser aprisionado como uma atração da casa de cera por seus chefes, acabou os assassinando em um ato de fúria.

Na segunda temporada, Penny Dreadful buscou aprofundar o roteiro reflexivo e sombrio, o que lhe rendeu a fama como série cult. É engraçado perceber como os dilemas morais são apresentados em cada um dos personagens e como é tênue a linha que divide os nossos desejos mais perigosos.

Somado a isso, os episódios conseguiram reforçar a relação profunda de cumplicidade entre Vanessa e Sir Malcolm (Timothy Dalton). Ambos perderam suas famílias de forma trágica e encontram no outro uma nova chance para conquistar um lar. E por isso, são capazes de arriscar a própria vida pela felicidade do próximo.

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Será interessante acompanhar o desenvolvimento da narrativa do terceiro ano. Livre da perseguição das bruxas, Vanessa assumirá um papel diferente na dinâmica do grupo de caçadores. Enquanto, Victor terá que lidar com a sua tentativa de interpretar Deus. A crueldade e a compaixão destes personagens continuará a ser o maior atrativo do seriado – assim esperamos.

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Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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