Turma da Mônica: série live-action fala sobre os dilemas da pré-adolescência

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A Turma da Mônica chega ao Globoplay nesta quinta-feira (21) em formato inédito: oito episódios de live-action que transformam o universo do Limoeiro em série de televisão pela primeira vez. A produção é sequência direta de Turma da Mônica: Laços (2019) e Turma da Mônica: Lições (2021), dois filmes que juntos somaram mais de 5 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e consolidaram uma nova geração de atores no papel dos personagens clássicos de Mauricio de Sousa.

O Limoeiro como palco de uma história de pertencimento

A série acompanha a construção do Clube da Turma no Limoeiro, mas o projeto coletivo serve de pano de fundo para algo mais denso. A chegada de Carminha ao bairro instala um mistério e, com ele, uma pressão silenciosa sobre Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão para se encaixarem em padrões que não reconhecem como seus.

O diretor Daniel Rezende, que também assinou Lições, conduziu a série a um território mais próximo do drama adolescente do que da aventura familiar dos filmes. Para ele, Carminha funciona como símbolo de uma expectativa social que começa a fazer sentido nessa faixa etária. “A Carminha representa o adolescente do mundo externo que segue o padrão que a sociedade impõe”, explicou Rezende. “A partir daí, a Mônica percebe que quanto mais ela tenta se adaptar, mais ela se afasta dos amigos.”

A leitura que o diretor faz da série extrapola a faixa etária do público tradicional da Turma da Mônica. “Estamos tentando pertencer virtualmente, ser reconhecido e aprovado na nossa falsa vida social. Estamos tentando nos transformar em coisas que não somos na vida real.” É uma série pensada para crianças, mas com camadas que falam diretamente com adultos que cresceram com os personagens, agora vendo os mesmos dilemas de outro ângulo.

O elenco que cresceu junto com os personagens

Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira repetem seus papéis pelos filmes pela terceira vez, o que já é uma raridade no cinema brasileiro, onde a continuidade de elenco infantojuvenil costuma ser interrompida por agenda ou crescimento físico dos atores. Desta vez, essa continuidade trabalha a favor da narrativa: os personagens estão na pré-adolescência, e os atores também passaram por essa transição durante o período de produção.

Para Giulia Benite, a preparação para a série exigiu acessar vulnerabilidades que a Mônica das histórias em quadrinhos raramente demonstra. “Ela começa a se questionar se sua personalidade forte é uma qualidade ou passa a ser defeito”, contou a atriz. O processo incluiu aulas de pernas de pau, experiência que a atriz descreveu com humor, mas que teve função dramatúrgica clara. “Como sou uma pessoa perfeccionista, me saí muito mal. Porém, me ajudou muito a entender o que a Mônica estava sentindo.” É exatamente esse tipo de detalhe de processo que separa uma atuação funcional de uma performance com nuance.

Uma nova fase com ambições além da saudade

Na pré-estreia em São Paulo, Mauricio de Sousa assistiu à série ao lado do elenco e da equipe. Aos 87 anos, o criador dos personagens acompanhou em vida a transformação de rabiscos feitos quando ainda aprendia a ler em produção audiovisual de plataforma de streaming. “É uma emoção que começou há muito tempo com um lápis e um papel”, disse ele no evento.

O que Sousa disse em seguida, porém, posiciona a série como algo além de uma celebração do legado. “Estamos falando de uma coisa muito séria. É um ‘Serião’. Preparem-se porque muitas sementes coloridas e divertidas estão sendo plantadas.” A fala sugere que o Globoplay e a Mauricio de Sousa Produções estão construindo uma franquia de conteúdo original, não apenas adaptando o que já existe.

Os dois filmes anteriores provaram que há público disposto a pagar ingresso por essa versão da Turma da Mônica. A série testa se esse público também está disposto a acompanhar os personagens durante oito episódios, com um ritmo diferente e dilemas mais incômodos. É uma aposta que, se funcionar, pode estabelecer o Limoeiro como um dos universos mais consistentes do audiovisual brasileiro para todas as idades.

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