Se você achava que conhecia a história das bruxas de Massachusetts, prepare-se para ver suas certezas ruírem. A série de terror histórico, Salem, mergulha fundo na paranoia do século 17 para mostrar que o verdadeiro mal pode estar escondido atrás de bíblias e tribunais. A trama acompanha a trajetória do soldado John Alden (Shane West), um homem endurecido por dez anos de batalhas brutais na guerra, que finalmente retorna ao seu lar. Mas a Salem que ele encontra não é mais o refúgio que ele deixou para trás; é um cenário de histeria coletiva e morte.
Logo em sua chegada, Alden passa a presenciar cenas que fazem os horrores da guerra parecerem distantes: enforcamentos públicos e torturas implacáveis realizadas em mulheres acusadas de serem feiticeiras. O choque cultural e moral do soldado é o fio condutor de uma narrativa que questiona quem são os verdadeiros monstros. Enquanto tenta entender a loucura que dominou seus vizinhos, ele se vê forçado a conviver novamente com Mary Shibley (Janet Montgomery), seu antigo e grande amor. No entanto, Mary não é mais a jovem inocente de uma década atrás; ela agora ocupa uma posição de poder e mistério que pode colocar a vida de John em risco.
10 séries de bruxas para uma maratona mágica
O grande trunfo da série é a forma como ela utiliza o realismo histórico para fundamentar o terror sobrenatural. Para quem acompanha produções de suspense psicológico como Ma, protagonizada por Octavia Spencer, onde a obsessão e o isolamento criam vilões assustadores, Salem oferece um prato cheio. Aqui, o isolamento da colônia e a pressão religiosa criam o ambiente perfeito para que segredos antigos venham à tona. A química entre Shane West e Janet Montgomery é carregada de ressentimento e desejo, tornando o romance proibido o coração emocional de uma série que, de outra forma, seria puramente sombria.
O elenco e a estética do macabro
Shane West, conhecido por papéis em dramas adolescentes e séries de ação, entrega uma performance física e exausta, perfeita para um homem que viu o pior da humanidade. Já Janet Montgomery constrói uma Mary Shibley gélida e calculista, cujos olhares sugerem que ela sabe muito mais sobre os enforcamentos do que deixa transparecer. A produção não economiza no visual: a fotografia é densa, as cores são lavadas e a sensação de claustrofobia é constante, mesmo em espaços abertos.
As cenas de tortura e os julgamentos são retratados com uma crueza que desafia o estômago do espectador. A série não tem medo de mostrar as ferramentas de ferro e os métodos brutais usados para arrancar “confissões” de mulheres inocentes — ou seriam elas realmente culpadas? É essa ambiguidade que mantém o público colado na tela, tentando decifrar se as bruxas são reais ou apenas bodes expiatórios para uma sociedade doente de poder.
Séries de vampiros para todos os gostos
O que esperar de Salem
Com uma direção de arte impecável e um roteiro que foge dos clichês de “vassouras e chapéus pontudos”, Salem já nasce como uma maratona obrigatória para os fãs de terror adulto. A pergunta que John Alden terá que responder, e nós junto com ele, é: existe salvação para uma cidade que já entregou sua alma ao medo?
Você acredita que as bruxas de Salem eram vítimas de uma injustiça histórica ou a série está certa ao sugerir que algo real e maligno vivia naquelas florestas? Comente abaixo sua teoria sobre o segredo da Mary Shibley!
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

