Stranger Things: confira o trailer de como tudo começou!

A Netflix liberou novas cenas de Stranger Things, série de oito episódios criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, que estreia no dia 15 de julho na plataforma. O material reforça o tom de suspense sobrenatural que os trailers anteriores já haviam sinalizado: câmera na mão, paleta escura e uma trilha sintetizada que bebe direto nos anos 1980.

O desaparecimento que move Hawkins em Stranger Things

A trama começa em 1983, em Hawkins, Indiana, com o sumiço de Will Byers, um garoto de doze anos. O que parece um caso policial convencional rapidamente se transforma quando as investigações apontam para experiências secretas do governo americano e para algo que não pertence ao mundo conhecido. Os Duffer descreveram a série publicamente como uma homenagem ao cinema de Steven Spielberg e John Carpenter, e a influência é visível desde a abertura: crianças andando de bicicleta à noite, florestas fechadas, forças que ninguém sabe nomear. O recorte temporal não é decorativo. 1983 é o ano em que o pânico anticomunista americano ainda estava no auge, o governo Reagan expandia programas militares classificados e a cultura pop vivia a transição entre o otimismo de E.T. e o terror mais cru de A Coisa, de Carpenter, lançado em 1982.

Ryder de volta, Harbour em ascensão

O elenco mistura gerações de forma calculada. Winona Ryder interpreta Joyce Byers, mãe de Will, e o papel marca o retorno mais expressivo da atriz à televisão desde Show Me a Hero e anos de projetos menores no cinema. Nos anos 1990, Ryder era nome de cartaz em As Virgens Suicidas e Garota, Interrompida. A série funciona como uma reapresentação. David Harbour vive o xerife Jim Hopper, e o papel chega num momento em que o ator acumulava papéis de apoio em produções como Turno da Noite e A Entrega. Matthew Modine, conhecido por Full Metal Jacket, integra o elenco como figura ligada às operações secretas do governo. Os jovens protagonistas, incluindo Charlie Heaton e Natalia Dyer, foram selecionados por meio de processo aberto. Millie Bobby Brown, que interpreta Eleven, a menina com poderes telecinéticos no centro da conspiração, tinha doze anos durante as gravações e vinha de participação em Intruders, série da BBC America cancelada após uma temporada.

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Stranger Things chega num momento em que a Netflix ainda consolidava sua identidade em séries originais de ficção científica e fantasia. Hemlock Grove, aposta anterior do gênero, não emplacou junto à crítica. Sense8, das irmãs Wachowski, tinha audiência fiel, mas divisiva. A plataforma precisava de algo que funcionasse tanto para assinantes mais velhos, que reconheceriam as referências dos anos 1980, quanto para audiências jovens, que acompanhariam o grupo de crianças sem precisar do contexto nostálgico.

Os Duffer desenvolveram o projeto por cerca de dois anos antes de fechar com a Netflix. A série foi recusada por mais de quinze emissoras e plataformas antes de encontrar porto. O orçamento estimado gira em torno de seis milhões de dólares por episódio, número elevado para o padrão de estreias da plataforma naquele período. Se a aposta funcionar, Stranger Things pode ser o ponto de virada que estabelece a Netflix como destino para ficção científica de produção cuidadosa, não apenas para dramas policiais e comédias. Os primeiros oito episódios já estão gravados e a plataforma libera a temporada completa na data de estreia, no modelo que tornou o binge-watching o padrão de consumo dominante.

  • amanda negrini scaled Stranger Things: confira o trailer de como tudo começou!

    Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

    Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.

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