Maria Bopp estreia como Bruna Surfistinha em nova série do canal FOX

#MeChamaDeBruna chega à TV com oito episódios para contar o primeiro ano de Raquel Pacheco como a garota de programa Bruna Surfistinha, expandindo uma história que já passou pelo livro autobiográfico e pelo longa de 2011, dirigido por Marcus Baldini e estrelado por Deborah Secco. A série estreia em 8 de outubro, às 22h, no Fox1, dentro do pacote premium do canal.

O bordel como ponto de partida, não de chegada

A produção não tenta replicar o filme. A proposta é ocupar um espaço que nem o livro nem o longa exploraram com profundidade: os bastidores do cotidiano da prostituição, com foco no primeiro ano de Bruna no privê. Na ficção, Raquel, que fugiu de uma família de classe média em busca de autonomia, trocou de nome e começou a trabalhar na casa de Stella, personagem vivida por Carla Ribas. A convivência obrigatória com as outras garotas do bordel é o motor dramático da temporada.

A diretora Márcia Faria, conhecida pelo longa Estação, articulou a série em torno de uma inversão deliberada de perspectiva. “Tiramos a prostituta do lugar de objeto. É o cliente que acaba tendo este papel”, explicou. O objetivo declarado é apresentar a prostituição sem romantização, o que coloca #MeChamaDeBruna numa posição distinta em relação à maioria das produções brasileiras que tocaram no tema. A TV aberta historicamente tratou o assunto de forma tangencial ou melodramática. Aqui, o recorte é explícito e o canal premium dá margem para uma abordagem mais crua.

serie bruna surfistinha
Elenco da série de Bruna Surfistinha (© Pop Séries)

A estreante que carrega oito episódios nas costas

Maria Bopp, escolhida para o papel central, não tinha um histórico extenso em produções de grande visibilidade antes da série. A escala do projeto é, portanto, uma aposta mútua: a atriz entra num papel de protagonista absoluta numa produção que se propõe polêmica, e a produção aposta numa intérprete sem o peso de uma imagem prévia consolidada, o que pode ser tanto risco quanto vantagem para a construção da personagem.

Em entrevista ao Pop Séries, Bopp sintetizou a intenção da série: “Queremos dar um olhar mais maduro e responsável sobre a prostituição.” A frase pode soar programática, mas o contexto da produção sustenta a afirmação. A escolha de Marcia Faria para a direção reforça a intenção de não tratar o projeto como entretenimento de baixo impacto. Faria tem trajetória no cinema brasileiro independente, e trazer esse olhar para uma série de TV paga representa uma mudança de registro em relação ao que o Fox costumava exibir no horário.

O que muda quando Bruna Surfistinha ganha uma série

O livro de Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha, publicado em 2005, vendeu mais de 200 mil cópias no Brasil e foi traduzido para mais de dez países. O filme de 2011 arrecadou cerca de R$ 10 milhões nas bilheterias nacionais, número sólido para uma produção independente brasileira na época. A série chega mais de uma década depois desse ciclo, num momento em que o debate sobre descriminalização e direitos de trabalhadoras sexuais ganhou outro volume público no país.

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Esse deslocamento temporal importa. #MeChamaDeBruna não está surfando no escândalo original, que moveu as vendas do livro nos anos 2000. Está revisitando a história com uma audiência que, em parte, cresceu com ela e agora pode recebê-la com outra camada crítica. A série tem oito episódios para explorar um universo que o filme comprimiu em menos de duas horas, e a estrutura episódica permite desenvolver personagens secundárias, como Stella, que no longa existiam apenas como pano de fundo.

Se #MeChamaDeBruna conseguir sustentar a proposta de Faria ao longo dos episódios, e não apenas no primeiro, vai ocupar um espaço raro na ficção seriada brasileira: o de uma série sobre prostituição que trata suas personagens como sujeitos, não como metáforas.

  • julia benvenuto foto Maria Bopp estreia como Bruna Surfistinha em nova série do canal FOX

    Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

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