Unidade Básica: 2ª temporada da série ressalta importância dos profissionais de saúde do país

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A segunda temporada de Unidade Básica estreia no dia 3 de maio, às 23h, no Universal TV, em um dos momentos mais simbólicos possíveis para uma série sobre o SUS. Os episódios foram gravados muito antes da pandemia de Covid-19, mas chegam às telas enquanto o Brasil enfrenta o maior colapso do sistema público de saúde em décadas. A coincidência é incômoda e poderosa.

O que acontece quando a UBS vira palco

A série acompanha o cotidiano de uma Unidade Básica de Saúde, a porta de entrada do SUS para a maioria dos brasileiros. Inspirada em situações reais, a trama transita entre casos clínicos e os bastidores institucionais de uma estrutura sempre à beira do limite. Na segunda temporada, dois novos estagiários e uma nova gerente chegam à unidade com propostas que colidem diretamente com os valores do Dr. Paulo, personagem central vivido por Caco Ciocler. Segundo o próprio ator, o personagem parou de fumar, o que já seria estresse suficiente. A gerente recém-chegada defende uma linha de gestão oposta à dele, e os estagiários ainda carregam a ilusão intacta da faculdade. Entre os temas abordados nesta temporada estão diagnósticos imediatistas, corporativismo médico e feminicídio.

Ana Petta, que interpreta a Dra. Laura, disse que sua personagem retorna mais madura após os eventos da primeira temporada. Sobre o relacionamento com o Dr. Paulo, foi econômica: “a relação continua viva de alguma forma.” O suficiente para manter a tensão sem antecipar nada.

Quem está por trás das câmeras e o que isso diz sobre a série

Unidade Básica é cocriada por Ana Petta, sua irmã Helena Petta e Newton Cannito. A divisão de funções vai além do roteiro: nesta temporada, Caco Ciocler acumula também a direção de episódios, estreitando ainda mais a relação entre elenco e criação. A diretora Caroline Fioratti, que assina a temporada, descreveu o desafio constante da produção como trazer humanidade para a tela sem cair no melodrama clínico que domina as séries médicas americanas. Segundo ela, esta temporada avança com mais ousadia nas questões de feminicídio, direito ao corpo e sexualidade.

O dado acadêmico mais curioso vem de Helena Petta, médica que usou Unidade Básica como objeto central de seu doutorado apresentado em Harvard. A tese discutiu a construção de uma série médica brasileira a partir do panorama internacional do gênero. É um reconhecimento pouco comum para produções nacionais de TV a cabo, e posiciona a série em um território que vai além do entretenimento.

A produção é da Gullane, responsável por títulos como O Mecanismo e pela produção executiva de Tropa de Elite. O elenco de apoio inclui Vinícius de Oliveira, Fabiana Gugli, Lina Mello e Gabriel Calamari.

Por que chega na hora certa, mesmo sem ter planejado

A produtora Helena Petta foi direta na coletiva de imprensa: “Estamos estreando em um momento difícil, onde o debate da saúde pública ganhou outra dimensão.” A afirmação resume bem a posição incomum em que a série se encontra. Unidade Básica não foi concebida como resposta à pandemia, mas acaba funcionando como documento. Mostra o funcionamento cotidiano, as limitações estruturais e a resistência humana dentro de um sistema que o Brasil discute hoje com uma urgência que não existia quando a câmera gravou o primeiro take.

A equipe do Pop Séries visitou com exclusividade o set de filmagens e conversou com o elenco antes da estreia. O que ficou claro nas entrevistas é que a série não busca heroísmo. Busca rotina, e é justamente isso que a diferencia de produções como Grey’s Anatomy ou House, onde o extraordinário é a norma. Aqui, o drama nasce do ordinário. Num país onde agentes comunitários de saúde trabalham sem equipamento de proteção e UBSs fecham por falta de médicos, isso não é escolha estética. É precisão documental.

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