A minissérie Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, estrelada por Marjorie Estiano e Emílio Dantas, chega ao streaming prometendo revisitar um dos casos mais impactantes do Brasil. A produção de seis episódios é uma adaptação do aclamado podcast Praia dos Ossos e mergulha na dupla condenação da vítima, um tema crucial que a série se propõe a discutir com o público.
O cerne da trama é a história de Ângela Diniz, uma mulher que, nos anos 1970, ousou viver de forma autônoma, buscando o divórcio e vivendo fora dos padrões sociais da época. Essa autonomia custou-lhe a vida: ela foi assassinada com quatro tiros pelo último companheiro, Doca Street, que não aceitou o rompimento. O grande gancho da produção é mostrar como Ângela não só foi vítima de um crime brutal, mas também foi moralmente culpada e condenada pela sociedade e pelo tribunal, sob a tese da “legítima defesa da honra”.”
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Quem foi Ângela Diniz?
Para o público que não conhece o histórico, a série resgata a figura de Ângela Diniz (1944–1976). Conhecida como “Pantera de Minas”, ela foi uma socialite que se tornou um marco na luta contra o feminicídio. Vivendo em uma época conservadora, Ângela desafiou os padrões sociais ao se divorciar e buscar a liberdade. O caso ganhou notoriedade nacional e internacional devido ao julgamento subsequente, no qual a defesa de Street utilizou a controversa tese da “legítima defesa da honra”, transformando a vítima em ré.
A condenação moral de Ângela gerou uma onda de revolta que impulsionou o movimento feminista brasileiro com o grito “Quem ama não mata”, forçando um novo julgamento e estabelecendo o caso como um divisor de águas na história social e jurídica do país. Essa pressão social foi decisiva, levando à anulação do veredito inicial e a um novo julgamento, no qual Street recebeu uma pena mais severa.
“A Ângela Diniz era uma figura que isso, que ela tinha, ela se autorizava, assim, a se dar prazer, a se oferecer liberdade de viver, não quer conquistar absolutamente nada, empreender absolutamente nada. A beleza de viver, a beleza da vida, é viver só assim. E isso é um ensinamento muito importante para todos nós. Eu me identifico muito com essa falta, com a falta dessa autorização de prazer, de beleza, de liberdade. Para mim, a vida sempre foi muito trabalho. É trabalho, é compromisso. Então, foi uma oportunidade de me experimentar na liberdade, me experimentar na leveza, me experimentar no prazer, e isso é muito valioso. Acho que isso é um processo para a vida inteira, é um exercício para a vida inteira, e essas conquistas a gente vai conseguindo com o tempo mesmo, com o exercício, ou prestando atenção em como é que você está vivendo”, contou Marjorie para o Pop Séries.
Tiago Lacerda falou da importância de contar esta história que completa quase cinco décadas: “Esse retorno a uma história de 49 anos é uma forma de a gente compreender que tudo isso não caiu do céu, a gente vem de algum lugar. Eu acho que compreender toda essa circunstância e projetar como seria hoje essa história aqui e agora, eu acho que é, de uma certa maneira, dar esse passo; é uma oportunidade de a gente compreender melhor esse lugar em que a gente está e imaginar um pouquinho o que vem pela frente também. Então, acho que essa luta é uma luta cotidiana, ela não cessou, ela não mudou para outro lugar, ela se transforma e ainda faz parte do presente, isso é muito impressionante.”
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Quando estreia a série brasileira?
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada é produzida pela Conspiração, com direção geral de Andrucha Waddington (Sob Pressão) e roteiro assinado pela experiente Elena Soárez (O Mecanismo), garantindo qualidade técnica e uma narrativa afiada. Além de Marjorie Estiano no papel de Ângela e Emilio Dantas como Doca Street, o elenco de apoio conta com a presença de grandes nomes como Antônio Fagundes, que interpreta o advogado de defesa Evandro Lins e Silva, e Thiago Lacerda.
A estreia está marcada para 13 de novembro na HBO Max.
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