Sharknado 5: Voracidade Global estreia neste domingo (6), às 22h, no Syfy, e a franquia mais absurda da televisão americana chega ao quinto capítulo com a maior escala de sua história: os tornados de tubarões assassinos agora atacam simultaneamente em vários continentes, incluindo Rio de Janeiro, Tóquio e Roma. Fin Shepard (Ian Ziering) e April (Tara Reid) voltam a liderar o grupo de sobreviventes, mas a novidade mais aguardada pelos fãs é o retorno de Cassie Scerbo ao elenco.
Nova está de volta, e trouxe uma irmandade
Scerbo interpretou Nova na primeira e na segunda produção, desapareceu na terceira e agora retorna com a personagem mais desenvolvida do que em qualquer ponto anterior da franquia. Em entrevista exclusiva ao Pop Séries, ela revelou o que aconteceu com Nova nesse intervalo: a personagem criou uma organização chamada “The Sharknado Sisterhood”, que opera nas instalações subterrâneas da Ópera de Sydney e funciona como uma rede de combate às tempestades. É esse grupo que entra em ação quando Gil, o filho de Fin e April, fica preso em meio a um dos ataques.
“Nova encontra Fin e April graças a um sistema de rastreamento e, a partir daí, sai pelo mundo destruindo os tubarões que aparecem em seu caminho”, resume a atriz. A personagem chega ao quinto filme com um arsenal novo, incluindo uma luva com garras que Scerbo descreve como “ao estilo Wolverine”, e uma postura mais autoritária dentro da narrativa.
O retorno de Scerbo faz sentido dentro da lógica da franquia, que ao longo dos filmes foi acumulando participações especiais como forma de manter o interesse do público. Sharknado 3: Oh Hell No! (2015) trouxe nomes como Mark Cuban e Ann Coulter em pontas e gerou 4,2 milhões de espectadores na estreia pelo Syfy, segundo dados da Nielsen, um dos maiores números da história do canal em exibições originais. Sharknado 4: The 4th Awakens (2016) repetiu o modelo e atraiu cerca de 3,4 milhões, queda que a produtora The Asylum e o Syfy decidiram compensar apostando no alcance internacional desta quinta edição.
Uma franquia construída no limite do ridículo, de propósito
Sharknado nunca tentou ser outra coisa. O primeiro filme, lançado em 2013 com orçamento estimado em 1 milhão de dólares, gerou mais de 5 mil tuítes por minuto durante a exibição original, número que virou referência sobre o poder das redes sociais na cultura pop televisiva. A The Asylum, produtora especializada em filmes de baixo orçamento criados para surfar em tendências do mercado, entendeu rapidamente que tinha em mãos algo diferente dos seus títulos anteriores: uma franquia que o público assistia porque era ruim, não apesar disso.
Ian Ziering, que antes de Sharknado era mais conhecido como Steve Sanders de Beverly Hills, 90210, reconstruiu sua carreira inteira em cima de Fin Shepard. Tara Reid, que atravessava uma fase de aparições esporádicas em produções menores, encontrou na franquia uma plataforma estável. Os dois renovaram para cada sequência sem resistência pública, o que por si só diz algo sobre o que a série representa nas trajetórias de ambos.
Sobre o Brasil, Scerbo foi direta: “Esses eventos acabam destruindo os monumentos e a bela paisagem do país no processo.” Sem spoilers detalhados, mas a frase sugere o padrão já estabelecido nos filmes anteriores, em que pontos turísticos icônicos são destruídos como parte do espetáculo.
Quando questionada sobre a conexão entre Sharknado e as mudanças climáticas reais, a atriz admitiu que nunca tinha feito essa leitura do material. “Torço para que os Sharknados nunca se tornem uma realidade”, disse, com a ressalva bem-humorada de que o ciclone Debbie, em 2017, de fato levou tubarões para as ruas de uma cidade australiana, fato amplamente documentado pela imprensa local. A franquia, sem querer, virou referência quando a realidade começou a parecer com o roteiro dela.
-
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.