Nicholas D’Agosto e Cory Michael Smith conversaram com exclusividade com o Pop Séries sobre os desafios de interpretar Harvey Dent e Edward Nygma na segunda temporada de Gotham, que estreia nesta segunda-feira (12) na Warner.
Harvey Dent antes da moeda
A chegada de Harvey Dent à segunda temporada de Gotham coloca a série diante de um desafio histórico: o personagem já foi vivido por Billy Dee Williams em Batman (1989), Tommy Lee Jones em Batman Forever (1995) e Aaron Eckhart em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), filme que rendeu mais de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. D’Agosto, conhecido por Heroes e pela franquia Pitch Perfect, não demonstra intimidação com o peso do legado. “Você interpreta o personagem que está na página. O mundo é o mesmo, mas é diferente”, diz o ator.
Na leitura que D’Agosto faz do promotor, Harvey Dent não é simplesmente um homem justo prestes a se corromper. É um político com ambição real, disposto a fazer escolhas moralmente duvidosas se acreditar que o resultado final justifica. Essa distinção importa porque separa Dent de James Gordon desde o início, antes de qualquer acidente com ácido. Gordon recusa o poder quando ele tem custo humano. Dent não tem esse freio.
A origem do personagem nos quadrinhos, com o histórico de abuso na infância como catalisador para a dualidade psicológica de Duas-Caras, é o ponto de ancoragem que D’Agosto diz ter usado na construção da performance. “Tenho um local de raiva na atuação. Acho que isso o torna real para mim”, afirma. Sobre o futuro do personagem, o ator projeta uma aliança crescente com Gordon, mas com erros pelo caminho.
Edward Nygma ainda não sabe que é vilão
Cory Michael Smith chegou a Gotham sem nenhuma familiaridade prévia com os quadrinhos de Batman. Ele e o irmão cresceram com GI Joe e Tartarugas Ninja. Quando conseguiu o papel de Edward Nygma, assistiu a animações e leu edições de cada década dos últimos 75 anos de história do personagem. A pesquisa revelou algo que moldou sua abordagem: as representações de Nygma variam radicalmente em forma e tom dependendo da época, o que deu ao ator espaço para construir uma versão própria sem se prender a uma referência canônica.
Na primeira temporada, Smith estabeleceu um Nygma ainda funcionário do departamento de polícia de Gotham, socialmente inadequado mas genuinamente dedicado ao trabalho, e obcecado por Kristen Kringle. O ator descreve o personagem como um “menino-homem em desenvolvimento lento”, cuja obsessão por Kringle é o primeiro contato com algo próximo de sentimento romântico. É essa fragilidade que torna o arco mais interessante do que o vilão de meia-idade com fantasia verde já entregou na televisão.
Para a segunda temporada, Smith revela que gostaria de ver Query e Echo no futuro da série, as duas parceiras do Charada nos quadrinhos. A ideia, que ele admite não ter dito a ninguém antes, sugere um arco de longo prazo que a produção ainda não confirmou publicamente.
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O que esperar da segunda temporada de Gotham
Gotham estreou em setembro de 2014 pela Fox nos Estados Unidos e chegou ao Brasil pela Warner logo em seguida. A primeira temporada teve média de 7,5 milhões de espectadores por episódio nos EUA, número expressivo para um drama de rede, e foi renovada antes mesmo do final. A Fox apostou na origem dos vilões como diferencial narrativo, e a segunda temporada aprofunda essa aposta ao escalar nomes como Dent e Nygma para papéis mais centrais.
O que D’Agosto e Smith descrevem nas entrevistas aponta para uma série que ainda está construindo seus antagonistas, não os apresentando prontos. Essa escolha de ritmo é o que distingue Gotham de adaptações anteriores de Batman para a TV, como a série de Adam West nos anos 1960, em que os vilões já chegavam formados e caricatos. Aqui, o interesse está no processo, e a segunda temporada é o momento em que esse processo começa a mostrar para onde vai.

