Melissa McCarthy: como a atriz se tornou uma das figuras mais lucrativas da comédia atual


Melissa McCarthy ganhou seu primeiro Emmy pelo papel de Molly Flynn em Mike & Molly, a comédia da CBS que estreou em 2010 e chegou a atrair mais de 14 milhões de espectadores por episódio no auge da segunda temporada. O prêmio, na categoria Melhor Atriz em Série Cômica, veio em 2011 e consolidou o que o circuito de stand-up e os sete anos de Gilmore Girls já indicavam: McCarthy era mais do que coadjuvante.

Em Mike & Molly, ela interpreta Molly Flynn, professora do quinto ano que conhece o policial Mike Biggs num grupo de apoio para pessoas com sobrepeso. A premissa soou arriscada para os padrões das redes abertas americanas, que historicamente evitaram retratar personagens gordos como protagonistas românticos sem recorrer ao humor de autodepreciação. A série, criada por Mark Roberts, driblou essa armadilha ao tratar o relacionamento dos dois com a mesma seriedade afetiva de qualquer sitcom convencional. A CBS renovou o programa por seis temporadas, encerrando-o em 2016, não por queda de audiência, mas por conflito de agenda da própria McCarthy, cuja carreira no cinema havia disparado.

De Sookie a estrela de bilheteria

Melissa McCarthy nasceu em Plainfield, Illinois, não em Nova Jersey, e começou no circuito de stand-up em Nova York, nos palcos do Stand Up New York e do The Improv, antes de se especializar no Actors Studio. Em 2000, Amy Sherman-Palladino a escalou para Gilmore Girls como Sookie St. James, a chef de cozinha, melhor amiga de Lorelai Gilmore. O papel durou sete temporadas e gerou um nível de identificação com o público que persiste até hoje: quando a Netflix produziu o revival Gilmore Girls: Um Ano para Recordar, em 2016, a ausência de McCarthy em mais de um episódio foi o ponto mais comentado entre os fãs, e a própria atriz explicou que a agenda apertada impediu uma participação maior.

O salto definitivo para o cinema veio com Missão Madrinha de Casamento em 2011. O filme, dirigido por Paul Feig com roteiro de Kristen Wiig e Annie Mumolo, custou 32,5 milhões de dólares e arrecadou 288 milhões globalmente. McCarthy, que contracenou com o marido Ben Falcone em uma cena, recebeu indicações ao Oscar e ao Critics Choice Award de Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se a primeira comediante em anos a chegar ao Oscar nessa categoria sem um papel dramaticamente pesado. Paul Feig voltaria a dirigir McCarthy em Os Outros e Eu (2013) e Spy (2015), este último com críticas ainda mais favoráveis e mais de 235 milhões de dólares arrecadados.

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Melissa Mccarthy

O Emmy confirmou o talento de Melissa Mccarthy

O reconhecimento da Academia de Televisão para Mike & Molly teve peso além do simbólico. McCarthy concorreu naquele ano contra Edie Falco, Tina Fey, Laura Linney, Martha Plimpton e Amy Poehler. Ganhar nessa lista não era garantido. Tina Fey, com quem McCarthy é frequentemente comparada como principal nome da comédia americana contemporânea, havia dominado a categoria com 30 Rock por anos seguidos. O Emmy de McCarthy sinalizou uma virada geracional na percepção crítica sobre quem definia o tom da comédia nas telonas e nas telas menores.

Fora do set, McCarthy desenvolveu uma linha de moda plus size após enfrentar dificuldades para encontrar roupas adequadas para as temporadas de premiações, mercado que as grandes grifes ainda ignoravam sistematicamente. A linha, lançada sob a marca Melissa McCarthy Seven7, foi uma resposta prática a um problema real, não uma jogada de imagem.

Nos anos seguintes ao Emmy, ela seguiria acumulando projetos, incluindo o papel principal em Uma Ladra sem Limites e negociações para uma sequência de Missão Madrinha de Casamento. Mas o que o prêmio de 2011 deixou claro é que McCarthy havia deixado de ser a coadjuvante adorável de Lorelai Gilmore para se tornar o centro gravitacional de qualquer produção em que aparece.

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