Se você cresceu assistindo às confusões de Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross no Central Perk, provavelmente se lembra das teorias nerds e, às vezes, incompreensíveis do paleontólogo do grupo. No entanto, o que parecia apenas mais um devaneio de Ross Geller em Friends acabou se tornando a premissa central de um dos episódios mais aclamados e emocionantes da história recente da televisão: San Junipero, de Black Mirror.
A conexão é tão específica que chega a ser arrepiante. Enquanto muitos viam Ross apenas como o “cara dos dinossauros”, ele estava, na verdade, prevendo uma revolução tecnológica que a Netflix exploraria com maestria anos depois. Em um episódio da sexta temporada da série, Ross compartilha com Chandler uma visão de futuro que, na época, soava como pura ficção científica barata, mas que hoje é o pilar de discussões éticas sobre a imortalidade digital.
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A profecia de Ross Geller
A cena em questão mostra Ross entusiasmado com os avanços tecnológicos. Ele afirma categoricamente: “No ano de 2030, haverá computadores que podem exercer a mesma função de um cérebro humano. Então, teoricamente, você pode fazer um download de seus pensamentos e memórias dentro deste computador e viver para sempre como uma máquina!”.
Para quem assistiu ao premiado episódio San Junipero, de Black Mirror, a descrição é um soco no estômago de tão precisa. No universo criado por Charlie Brooker, pessoas idosas ou à beira da morte podem “fazer o upload” de suas consciências em um sistema de realidade simulada, onde podem viver eternamente em suas versões mais jovens. O que era uma piada de roteiro em Friends tornou-se o roteiro que venceu o Emmy em 2017.
Essa não é a primeira vez que produções antigas parecem antecipar o que veríamos em dramas modernos. Se você gosta de entender como essas pontes entre gêneros diferentes funcionam, vale a pena conferir nossa análise sobre como a comédia clássica influenciou o suspense moderno, onde exploramos outros momentos em que séries de humor tocaram em temas profundos da psique humana. Assim como em Friends, muitas vezes a verdade está escondida atrás de uma trilha de risadas gravadas.
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Black Mirror: a tecnologia de 2030
A precisão da data mencionada por Ross também impressiona. Ele cita o ano de 2030 como o ponto de virada para a consciência digital. Estamos a apenas alguns anos dessa marca, e empresas de tecnologia já discutem seriamente interfaces cérebro-computador. Enquanto Chandler reagiu com o seu sarcasmo habitual, o público de hoje olha para Ross com um misto de respeito e temor.
Em Black Mirror, a tecnologia é tratada com uma melancolia visual e uma estética oitentista nostálgica, o que ironicamente nos remete à própria época em que Friends estava no auge. Ver Ross descrever exatamente o destino das personagens Kelly e Yorkie em San Junipero cria um “crossover” mental que os fãs de cultura pop não conseguem ignorar. É como se, em algum lugar do multiverso televisivo, Ross Geller fosse o consultor técnico para as piores (ou melhores) distopias tecnológicas.
Por que isso importa hoje?
O impacto dessa “previsão” vai além da coincidência. Ela mostra como a cultura pop está interconectada. O que era visto como o “pós-morte” para Ross em 1999, tornou-se a “utopia digital” de Black Mirror quase duas décadas depois. A série da Netflix levou o conceito ao extremo, questionando o que realmente nos torna humanos se nossas memórias podem ser reduzidas a dados em um servidor.
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Ross Geller pode não ter acertado em todos os seus relacionamentos, mas sua visão sobre o futuro da computação foi, sem dúvida, revolucionária. Da próxima vez que você maratonar Friends, preste atenção: pode haver outra previsão de Black Mirror escondida em algum comentário sobre fósseis ou casamentos falidos.
O que você acha dessa teoria? Será que os roteiristas de Black Mirror assistiram a esse episódio de Friends antes de escreverem o roteiro premiado? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo com aquele amigo que ama uma boa teoria da conspiração!

