O Mentalista estreou na CBS em setembro de 2008 e rapidamente se tornou um dos dramas mais assistidos da televisão americana. Na sua primeira temporada completa, a série alcançou uma média de 15 milhões de espectadores por episódio, número que a posicionou entre os dez programas mais vistos dos Estados Unidos na temporada 2008-2009. O feito foi ainda mais expressivo considerando que a série disputava espaço com franquias já consolidadas como CSI e Bones no mesmo nicho de procedurais policiais.
A criação é assinada por Bruno Heller, roteirista britânico que antes havia desenvolvido Roma para a HBO e a BBC. Heller construiu Patrick Jane como uma resposta direta ao arquétipo do detetive gênio, mas com uma camada de cinismo e trauma que o diferenciava de personagens como Adrian Monk ou Shawn Spencer, contemporâneos no mesmo período. A escolha de Simon Baker para o papel não foi imediata. O ator australiano, conhecido até então por papéis de galã em produções como O Diabo Veste Prada e The Guardian, precisou convencer a produção de que conseguia sustentar a ambiguidade moral do personagem ao longo de múltiplas temporadas.
A série funcionou durante seis temporadas com um modelo híbrido, combinando casos fechados por episódio com o arco central do assassino Red John, cuja identidade foi mantida em segredo até a décima oitava entrada da sexta temporada. Essa estrutura gerou debate intenso entre críticos e público. Enquanto os fãs debatiam teorias sobre a identidade do vilão em fóruns e blogs especializados, parte da crítica apontava que a resolução do mistério, quando chegou, foi apressada e subutilizou o potencial narrativo acumulado. O Rotten Tomatoes registra aprovação de 82% do público na série como um todo, com a quinta temporada sendo frequentemente apontada como o ponto alto da produção.
Robin Tunney, que interpreta a agente Teresa Lisbon, trouxe ao papel uma solidez que equilibrava os excessos calculados de Jane. A atriz vinha de uma carreira irregular em Hollywood, com sucessos pontuais como Clube das Rainhas, mas sem uma âncora televisiva de longo prazo. O Mentalista mudou esse quadro e manteve Tunney em destaque consistente por sete anos. A dinâmica entre os dois personagens principais foi central para a longevidade da série, algo que o próprio Heller reconheceu em entrevistas ao longo da produção.
A série encerrou na CBS em fevereiro de 2015, após sete temporadas e 151 episódios. A sétima temporada foi enxuta, com apenas treze episódios encomendados, reflexo de uma queda progressiva de audiência a partir da sexta temporada. Ainda assim, o episódio final reuniu cerca de 7 milhões de espectadores, número considerado sólido para o período em que o streaming já fragmentava o consumo televisivo de forma significativa.
O legado de O Mentalista permanece visível na geração de procedurais que vieram depois. Séries como Psych e Lie to Me exploraram territórios similares, mas nenhuma sustentou a tensão entre humor e drama sombrio com a mesma consistência ao longo de tantas temporadas. Para Simon Baker, o papel de Patrick Jane continua sendo o trabalho mais reconhecido de sua carreira, referência obrigatória em qualquer análise sobre personagens que usam a inteligência como arma principal dentro da ficção policial televisiva.





















































































































































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