Vikings estreou em 2013 no canal History, nos Estados Unidos, e rapidamente se tornou uma das produções mais bem-sucedidas da emissora, conhecida até então por documentários e programas de história. A série foi criada por Michael Hirst, roteirista britânico com experiência em produções de época, responsável também por Os Tudors. Hirst passou anos pesquisando a mitologia nórdica e os registros históricos sobre as invasões vikings antes de desenvolver o roteiro, e usou como ponto de partida a figura real de Ragnar Lothbrok, personagem que aparece em sagas escandinavas medievais como a Saga dos Volsungos e a Saga de Ragnar Lothbrok, mas cuja existência histórica comprovada ainda é debatida por acadêmicos.
Na ficção, Ragnar é interpretado por Travis Fimmel, ator australiano que até então era mais conhecido por trabalhos em publicidade do que por papéis dramáticos de peso. A escolha foi arriscada, mas funcionou. Fimmel construiu um Ragnar magnético e imprevisível, misturando carisma com uma intensidade física que o diferenciava dos protagonistas convencionais de séries de época. O personagem começa como um simples fazendeiro e guerreiro, casado com a escudeira Lagertha, vivendo sob a autoridade de Earl Haraldson, o líder local interpretado por Gabriel Byrne. O conflito central da primeira temporada nasce exatamente desse choque de visões: Ragnar acredita que há riquezas inalcançadas além do mar, enquanto Haraldson prefere manter as expedições nas rotas já conhecidas para o leste, em direção ao Báltico.
O que sustenta a premissa é o contexto histórico real. As incursões vikings à Inglaterra começaram de fato no final do século VIII, com o ataque ao mosteiro de Lindisfarne em 793 d.C., considerado o marco simbólico da era viking. Hirst usa esse evento como catalisador narrativo para a jornada de Ragnar, que precisa convencer seu earl a autorizar uma rota marítima completamente nova e arriscada. Para isso, conta com a ajuda do ferreiro Floki, interpretado por Gustaf Skarsgård, responsável pela construção dos longships que tornaram a navegação pelo Atlântico Norte viável para os nórdicos.
A produção foi filmada principalmente na Irlanda, com locações em Co. Wicklow e nos estúdios de Ashford, o mesmo complexo que sediaria mais tarde as gravações de Game of Thrones. O orçamento da primeira temporada foi estimado em torno de 40 milhões de dólares, alto para os padrões do History à época. O investimento valeu: o episódio de estreia atraiu cerca de 6,4 milhões de espectadores nos Estados Unidos, recorde para o canal em sua história até aquele momento. A série foi renovada para uma segunda temporada antes mesmo do término da primeira.
A recepção crítica foi positiva, com elogios especialmente à direção de arte, ao rigor visual e à performance de Fimmel. Alguns historiadores apontaram imprecisões, mas reconheceram o esforço de Hirst em basear os costumes, rituais e estrutura social em fontes primárias nórdicas. Vikings seguiu por seis temporadas até 2020, expandiu seu universo com o spin-off Vikings Valhalla na Netflix em 2022 e ajudou a consolidar o interesse global pela cultura escandinava na cultura pop, abrindo espaço para produções como The Last Kingdom e Norsemen. Tudo começou com um fazendeiro olhando para o horizonte e apostando que havia algo além do que seu povo conhecia.




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