Supergirl: equilibra trauma, brutalidade e humanidade na nova era da DC

O segundo longa-metragem da nova fase da DC Studios, dirigido por Craig Gillespie, chega aos cinemas com a difícil missão de consolidar o universo planejado por James Gunn. Inspirado diretamente na aclamada HQ de Tom King e Bilquis Evely, o filme acerta em cheio ao se distanciar da imagem tradicional da “menina boazinha” e entregar uma Kara Zor-El complexa, marcada por dores profundas.

A força de Milly Alcock e a desconstrução da heroína

O grande triunfo da produção apoia-se no talento de Milly Alcock. A atriz consegue criar uma heroína que vai muito além de sua história de origem, focando intensamente na jornada psicológica e nos traumas de Kara. Diferente de seu primo Clark Kent, enviado à Terra ainda bebê, Kara testemunhou a destruição de Krypton e carrega o peso de ter visto tudo o que amava morrer. Essa bagagem emocional se reflete em uma Supergirl que luta para libertar um grupo de mulheres feitas reféns e não tem medo de sujar as mãos de sangue para alcançar a justiça (uma visão bem diferente do novo Superman).

Em crise existencial aos 21 anos, Kara Zor-El viaja para um planeta sob um sol vermelho para conseguir se embriagar e fugir de seus traumas. Lá, conhece Ruthye, uma jovem que busca vingança contra Krem, o assassino de seu pai. Após Krem ferir gravemente Krypto com flechas envenenadas, a Supergirl parte em uma caçada implacável pelo cosmos para salvar seu cão e garantir que a justiça seja feita.

Essa relação prova que a personagem ainda preserva seu lado humano, mesmo que tente a todo momento evitar a conexão com Ruthye, a jovem camponesa que ela aceita ajudar em uma jornada de vingança e justiça pelas galáxias.

No elenco de apoio, Jason Momoa visivelmente se diverte na pele do mercenário Lobo. O ator traz um contrapeso de humor e crueza ideal para a trama, mesmo que sua participação se limite a pouco tempo de tela.

Contudo, o filme não está livre de falhas. A direção de Gillespie é extremamente centrada na visão estética de James Gunn para esta remodelação da DC, e a forte semelhança com a fórmula de Guardiões da Galáxia (viagens interplanetárias embaladas por humor e pocket de excentricidades) pode soar cansativa para alguns. Além disso, o antagonista Krem (vivido por Matthias Schoenaerts) surge como um vilão extremamente estereotipado e unidimensional. Ainda assim, poucos filmes de super-heróis contemporâneos conseguem escapar desse estigma e criar versões genuinamente interessantes para seus vilões.

Superman resgata nostalgia das HQs e acerta em projeto para nova DC

Vale a pena assistir a Supergirl?

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Apoiando-se no carisma inegável e na atuação potente de Milly Alcock, Supergirl não decepciona. O longa entrega uma aventura espacial ousada, dinâmica e visualmente inspirada nas HQs, ao mesmo tempo em que abre caminhos importantes para o protagonismo de mais heroínas no Universo DC, pavimentando uma estrada que começou lá atrás com o primeiro filme da Mulher-Maravilha.

Além de Milly Alcock e Jason Momoa, o elenco coestrelado inclui nomes como Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz e Emily Beecham. A estreia de Supergirl está marcada para 25 de junho no Brasil.

 

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